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Câmara restaura 5,7 quilómetros da V.I.M. dentro do concelho de Guimarães
Terça-feira, Agosto 18, 2015

Uma intervenção que vem sendo reclamada há várias décadas. A via intermunicipal foi um projecto promovido pela AMAVE no início dos anos 1990. De via estruturante passou a ser um verdadeiro ‘puzzle’ na região.

A Câmara Municipal de Guimarães prepara-se para intervir na requalificação da Via Intermunicipal, na extensão dos 5,7 quilómetros que estão dentro dos limites do concelho de Guimarães.

As obras deverão iniciar-se quarta-feira, 19 de Agosto, e deverão estar concluídas no início do próximo ano – o prazo de execução da obra é de 150 dias. O procedimento concursal teve início no início do ano e o custo da adjudicação ronda os dois milhões de euros.

As obras incluem a substituição de um pavimento que minimiza o ruído e a colocação de separadores centrais. Serão construídos passeios para peões nas áreas mais urbanizadas e serão tratados os sistemas de drenagem das águas.

O presidente da Câmara Municipal de Guimarães acredita que, com esta intervenção, se possa “reduzir a sinistralidade, devolver a segurança e criar condições para diminuir drasticamente a possibilidade de acidente”, no troço de estrada da V.I.M. referente a Guimarães

A Via Intermunicipal (V.I.M.), construída por iniciativa da Associação de Municípios do Vale do Ave (AMAVE) em 1994, tem sido uma dor de cabeça para os autarcas dos municípios por onde passa esta via, que liga Joane, no concelho de Vila Nova de Famalicão, a Vizela.

A obra foi uma das bandeiras da AMAVE, foi financiada pelos fundos comunitários e pelos municípios que faziam parte da AMAVE. Esperava-se que esta se tornasse estruturante do território da região. Esta via serviria de alternativa a várias estradas municipais e facilitava a articulação com o nó da auto-estrada em Serzedelo.

Com a sua construção em 1994, a verdade é a que a V.I.M. se tornou de facto numa via estruturante ao ponto de passar a ser utilizada por milhares de utilizadores diariamente. Tal veio acelerar o processo de desgaste da via e o aumento da sinistralidade.

Nos inícios do novo milénio o desgaste da V.I.M. já obrigava a intervenções e o Conselho de Administração da AMAVE esperava que a manutenção fosse conseguida através de “estabelecimento de parcerias locais, nomeadamente com Juntas de Freguesias”, assim como do Governo.

A AMAVE mostrava-se impotente para resolver o problema. Em 2010, o entender desta associação de municípios era o de que deveria ser o Estado a assumir a gestão da via, dadas as suas características.

As propostas da AMAVE passavam por tentar com que o Governo integrasse a V.I.M. na rede nacional de estradas ou torná-la numa SCUT, de acordo com declarações Jornal de Notícias, em Fevereiro de 2010, do então administrador Castro Fernandes, também presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso.

As Câmaras Municipais que integravam a AMAVE nunca se entenderam. Uns autarcas defendiam que a solução deveria passar por cada município assumir a manutenção da via dentro dos seus respectivos territórios; outros, porém, defendiam que deveria ser o Governo a assumir os custos de manutenção da via. António Magalhães estava no primeiro dos grupos e chegou a anunciar obras na via.

O problema ficou definitivamente órfão com a ambiguidade do papel da AMAVE, depois da criação das Comunidades Intermunicipais e em particular da C.I.M. do Ave.

Infografia: Reflexo, a partir do mapa Google