PUB
CDU reclama um outro olhar para os refugiados
Domingo, Novembro 15, 2015

Torcato Ribeiro indignado com algumas notícias e comentários nas redes sociais; Domingos Bragança recorda que “refugiados de guerra vivem situações dramáticas do ponto de vista humanitário”.

No período antes da ordem do dia, da reunião do executivo de 12 de Novembro, o vereador da CDU Torcato Ribeiro chamou a atenção para algum “tipo de notícia”, mostrando-se indignado com comentários partilhados nos últimos dias nas redes sociais. O vereador referia-se a notícias e comentários relativos ao recebimento de refugiados na Casa de Acolhimento das Trinas, da Santa Casa da Misericórdia de Guimarães. Para Torcato Ribeiro “deu-se a entender que alguns idosos estavam a ser expulsos do seu local habitual para dar lugar aos refugiados”, o que é tentar criar um “ambiente de uma não-aceitação de uma comunidade, é caminhar para um caminho que não é justo e solidário”.

Recorde-se que a Casa de Acolhimento das Trinas, que tinha já sido notificada pela Segurança Social por causa da falta de condições para funcionar como lar de idosos, albergava oito pessoas, sendo que sete foram transferidas para lares da cidade com melhores condições. O processo de acolhimento de refugiados nas Trinas terá começado apenas após a Segurança Social ter sinalizado a transferência das idosas em causa.

José Torcato Ribeiro, para quem os comentários traduzem falta de carácter e de solidariedade, reitera que “temos a obrigação de receber bem os refugiados”, acrescentando que Portugal, como membro na NATO, tem responsabilidades que têm de ser assumidas por causa de intervenções desta aliança militar. Lembrando que a CDU não é a favor da existência da NATO, afirmou que “se vamos lá desestabilizar, se vamos lá destruir, se vamos criar condições de uma vida imprópria, é natural que as pessoas fujam para uma vida melhor”.

Por sua vez, o Presidente da Câmara mostrou-se “muito triste” pela situação “muito injusta para com a senhora provedora [da Santa Casa da Misericórdia de Guimarães], pessoa distinta e tão generosa, sempre disponível para ajudar”. Domingos Bragança lembrou as situações dramáticas do ponto de vista humanitário vividas pelos refugiados, tendo ainda afirmado que as instituições com capacidade e vontade de receber refugiados, entre as quais a Santa Casa, vão disponibilizar apenas e só o que têm condições para disponibilizar.

A Câmara Municipal de Guimarães reuniu nos últimos dois meses com cerca de vinte instituições do concelho, que se prestaram a receber refugiados, e está a desenvolver um plano de acção para “acolher bem, de forma organizada” e dentro das capacidades de cada um. Esse plano, que de acordo com Domingos Bragança será avaliado e aprovado por todas as partes, seguirá depois para o Conselho Português para os Refugiados, que já anteriormente reuniu com o Presidente da Câmara. O primeiro plano aponta neste momento para o acolhimento de trinta e cinco pessoas, três das quais crianças.