CC Vila Flor apresenta “Fall” espectáculo de quedas e de ciclos que se fecham
Quinta-feira, Março 19, 2015

O espectáculo Fall, da autoria do vimaranense Victor Hugo Pontes estreia este Sábado, 21, no Centro Cultural Vila Flor. Para o coreógrafo o espectáculo em Guimarães é também “o regresso às origens de tudo”.

Nas datas de apresentação do espectáculo Fall no Porto, o Teatro Rivoli esteve esgotado todas as noites. Victor Hugo Pontes explora o tema título de forma literal, levando os bailarinos em cena ao seu limite físico, por vezes de forma violenta. O espectáculo começa precisamente com uma queda dos bailarinos de uma altura de cinco metros.

A palavra fall, que em inglês pode significar tanto queda como Outono, invoca não só acto de cair, mas todos os ciclos de que a queda é parte do um processo. Cair implica levantar-se, porventura para voltar a cair a seguir. É assim na vida, desde que começamos a aprender os primeiros passos. O conceito de ciclo repete-se também em cada Outono, onde a natureza morre para renascer na Primavera. E por aí adiante.

Victor Hugo Pontes, 37 anos, é natural de Guimarães. Por isso, esta apresentação tem o significado do regresso às origens de tudo. Em particular os seus primeiros passos na dramaturgia e na dança, onde começou no ODIT e depois no Teatro Oficina – “inevitavelmente, todo o meu trabalho está relacionado com a minha vida”, começa por esclarecer em conversa com o Reflexo, “o meu primeiro dia no teatro foi precisamente aqui, com o Teatro Oficina”.

Embora esta peça não tenha, como origem, qualquer episódio da sua vida, ela reflecte a inevitabilidade que a queda representa na vida de todas as pessoas – “a peça fala não só de quedas físicas, mas também de quedas emocionais, pelas quais todos vamos passando”, esclarece o autor, “a peça explora todos os significados que a palavra pode ter, quer seja a melancolia do Outono ou a paixão quando caímos de amores”.

A palavra que normalmente é associada a algo doloroso, pode na verdade, ser associada a algo feliz e positivo? O criador de Fall sublinha o tom “obscuro” da peça. Victor Hugo Pontes esclarece que a tal queda de amores é vista como algo temporário: “essas quedas, nunca são felizes ou são felizes durante pouco tempo e, por isso, subverto o tema explorando a queda depois da desilusão amorosa”.

Quanto à abordagem sobre o estado político, algo depressivo, em que se encontra o país Victor Hugo esclarece que essas referências não serão encontradas na peça de forma directa, embora o espectador possa ter a liberdade de fazer algumas associações que possam ir nesse sentido – “gosto de deixar as coisas em aberto, para que as pessoas possam ir construindo a sua própria narrativa”. A queda do poder não é, portanto, motivo retratado de forma explícita em Fall.

O dia de sábado é todo ele dedicado ao tema da peça que é apresentada no Grande Auditório do CC Vila Flor, às 22 horas. A adaptação do tema é feito com o público mais jovem, que terá a oportunidade de trabalhar com o coreógrafo Victor Hugo Pontes. O espectáculo Cair parte de uma ideia do próprio, dirigindo-se a um público infantil, entre os 6 e os 12 anos. Esta experiência será apresentada no mesmo dia 21, Sábado, às 16 horas.