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Burro velho não toma andadura…
Segunda-feira, Março 14, 2016

Às vezes, sinto-me perfeitamente imbecil, quando, em certos círculos, todos à minha volta se riem desbragadamente e eu permaneço ali, impávida e serena, alvo de todas as atenções por não participar na risota geral. Serei eu a correta ou a que está completamente errada?

Outras vezes, associo-me à multidão anónima, ela sim imbeciloide, para me rir da triste figura que fazem. Hipocrisia? Não. Saber viver em sociedade.

Não me rio por dá cá aquela palha, mas sou risonha de meu natural, a não ser quando embrenhada em pensamentos nem sempre agradáveis. O riso tem de ser merecido tal como os aplausos e os louvores. Esse franzir dos músculos do rosto que faz tão bem e é tão saudável tem de ser sentido, verdadeiro. Contudo, atualmente, não há muitos motivos para rir, quando nos jornais só lemos desgraças que aconteceram e a previsão de outras prestes a acontecer. E, sendo funcionária pública, tudo pode acontecer de um momento para o outro, pois somos o bombo de festa favorito do governo e cá estamos para pagar a dívida externa com mais cortes no ordenado, nas pensões, nos subsídios. Parece que, em Portugal, só nós (professores!) é que existimos e, ainda por cima, os funcionários do topo arranjam sempre maneira de estarem fora das medidas tomadas. Se não detestasse a política como detesto, e não pautasse a minha atuação pelo caminho reto, sem azo a atos desviantes pouco meritórios (pelo menos, tento!), acho que começava a fazer “carreira” num partido qualquer (são todos iguais!) para depois me aproveitar e “encher os bolsos” e ter “reformas” (no plural, sim!) chorudas.

Mas, como já referi, não sou sorumbática e procuro ver a vida “colorida”, embora ela se apresente frequentemente negra ou muito cinzenta. Já o facto de adorar vestir de preto nada tem a ver com a minha maneira de estar, pois visto-o frequentemente. “Para te esconderes”! sussurram alguns. “Porque sou gorda” respondo eu.

Uma mãe disse-me um dia que o filho gostava muito de mim, porque me estava sempre a rir. Ʌ com os jovens “ladro mais do que mordo”, pois acredito na juventude; com os adultos, porém, engulo, engulo e estouro “mordendo”, principalmente quando são hipócritas, falsos, mentirosos, egocêntricos. E há tanta gente com duas caras para se aproveitarem dos incautos e “palermas” como eu, que, infeliz ou felizmente, dependendo do prisma por onde se espreitar, sou inofensiva, porque crédula e vejo ou procuro ver sempre o lado positivo das pessoas e das coisas.

Depois, vêm as surpresas desagradáveis e o franzir o sobrolho e o “virar do avesso”, o que acontece muito poucas vezes e, para a minha sanidade mental, devia acontecer muito mais.

Pode ser que eu aprenda e vá contra o ditado “Burro velho não toma andadura e se a toma pouco lhe dura”.

Professora