Barco viaja por sonoridades dos 70s e 80s. Reportagem do 3.º dia do festival
Sábado, Agosto 8, 2015

Ao terceiro dia, o Barco chega ao cais onde param sonoridades musicais típicas de outras décadas – do psicadelismo do final de 60s ao disco-funk dos 80s. Último dia de concertos trazem Jorge Palma a Barco.

O dia de sexta, 7 de Agosto, nasceu em Barco com um sol impiedoso que não poupou a equipa e as bandas que faziam o soundcheck no palco. Com dias assim, seria difícil esperar que as temperaturas baixem tanto durante a noite.

Na ilha, chamada pelos locais de Ínsua, mas que os habitués do Barco chamam de ‘Ilha da Alvorada’, recuperavam-se forças e repunham-se níveis normais de glicemia no sangue. Uma diligência do Indie Music Fest montou um soundsystem ali mesmo. Serviu para muitos campistas receberem uma dose extra de energia e despertarem definitivamente. No palco, que se torna mais imponente durante o dia, preparava-se o alinhamento para a noite que haveria de começar com a MAT Brass Band.

Passavam poucos minutos das 22.30 horas quando o colectivo começou o concerto, dando também a partida para a série de concertos da noite. A MAT Brass Band é um conjunto de músicos, que surgiu de forma mais ou menos espontânea, em 2014 – uma brincadeira que, devido ao sucesso no ano anterior, se tornou mais séria, extravasando a sua existência além do Barco Rock Fest.

Na versão de 2015, a MAT Brass Band juntou quinze músicos, vindos de várias paragens, deu o toque de partida nos concertos. Alguns standards da música popular ganharam novas roupagens – ‘Helter Skelter’, dos Beatles; ‘Feeling Good’, um clássico de Nina Simone, que ganhou redobrada popularidade com uma versão dos britânicos Muse, que merecerem também eles uma poderosíssima versão de ‘Hysteria’. Em alguns destes temas juntava-se a voz de Rolando Ferreira, que desafiou o público na versão do hit de verão ‘Uptown Funk’.

Com a plateia já composta ocuparam o palco os Paraguaii, banda liderada por Giliano Boucinha, que espalhou pelo vale do rio Ave sons de guitarras disfarçadas por doses elevadas de reverb e delay, suportadas por uma secção rítmica sólida e por teclados que, a espaços, sugeriam as trips psicadélicas de outros tempos.

O número seguinte prometia acelerar tempo do ritmo. Da Chick (na foto), a rapariga de nome Teresa de Sousa, lançou recentemente o disco Chick to Chick. A expectativa era uma nova viagem, desta feita pelo disco-funk, que os sintetizadores DX7 trouxeram àqueles géneros nos anos 80s, a fazer lembrar Chacka Khan e as produções de Giorgio Moroder ou Nile Rodgers. Da Chick perguntou se o público estava pronto para o funk. Este respondeu que sim e o concerto fluiu, com o abanar dos corpos ao ritmo das batidas.

Era Da Chick quem estava inicialmente para fechar o alinhamento de sexta no Barco Rock Fest. Mas, por uma alteração de última hora, houve uma troca com White Haus – o projecto a solo de João Vieira, também conhecido de outras lides, nomeadamente com os regressados X-Wife ou como DJ Kitten. Em Barco, João Vieira fez-se acompanhar por músicos dos Dear Telephone, que passaram pelo BRF em 2011.

Na altura em que Da Chick terminou o concerto, os termómetros ameaçavam baixar dos dez graus centígrados. Se até ali o público conseguiu aquecer os corpos, não se deixando afectar pelo frio, a demora na troca de banda no palco fez com que a baixa temperatura se tornasse indisfarçável. Enquanto a equipa de White Haus montava a extensa parafernália de instrumentos, algum público acabou mesmo por desistir. João Vieira e companhia não conseguiram recuperar o entusiasmo do público.

No final da noite esperava-se com alguma expectativa o DJ set de Xinobi, que começou passavam já poucos minutos das 3 da manhã. O público, que permanecia resistente na frente do palco, acabou por voltar a aquecer os corpos – uns com os copos na mão, outros não.

Para o último dia aguarda-se o regresso do festival às sonoridades rock, género que dá o nome ao festival, com especial expectativa para o concerto de Jorge Palma. Caberá aos smartini abrir o palco, por volta das 22 horas. Seguem-se Keep Razors Sharp e André Indiana. A noite terminará mais uma vez com um DJ set, desta feita com Magazino.