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A vida da água em Guimarães
Quinta-feira, Outubro 29, 2015

Durante quatro dias, e com o objetivo de informar, refletir e debater as ameaças a que a água se encontra sujeita e os desafios da sua gestão, foram exibidos, debatidos os conteúdos de filmes e documentários. Na convicção de que informar é cuidar, foi ainda organizado um seminário, que contou com a presença de oito oradores, especialistas nas suas áreas de intervenção.

O seminário cumpriu o seu objetivo, tendo dado a conhecer aos presentes como se processa a captação e distribuição de água para consumo humano, bem como os tratamentos a que se encontra sujeita, de que forma é controlada a sua qualidade e que garantias o seu consumo oferece à saúde pública. Foi possível concluir que, em Guimarães, a água da torneira tem boa qualidade e pode ser consumida com segurança.

Foi dado a conhecer o Sistema Integrado de Despoluição do Vale do Ave (SIDVA), explicado ao pormenor por responsáveis das instituições que o instalaram e fazem a sua gestão, e houve ainda oportunidade para divulgar o Projeto Rios, da ASPEA, dedicado à educação ambiental sobre recursos hídricos.

Entendo que pela importância e utilidade da informação que foi disponibilizada neste seminário, esta deve ser amplamente partilhada, devendo as várias entidades envolvidas promover a concertação de formas e meios de fazer chegar essa mensagem aos vimaranenses.

As Ecorâmicas e seus objetivos não se esgotaram no programa do evento. Devem ser encaradas como mote e desafio às instituições e comunidade para que a Vida da Água, em Guimarães, seja avaliada e gerida de forma participada e sistemática, com uma forte vertente de educação ambiental, delineada a médio prazo e abrangente no seu público alvo.

Essa estratégia de educação ambiental tem oportunidade de se concretizar através do grupo constituído para proteger o Rio Ave e para o qual elaborou um plano de ação. Esse plano representa uma iniciativa bastante positiva, quer por envolver várias instituições no diagnóstico dos problemas do rio e na sua elaboração/execução, quer pelas ações nele previstas. No entanto, e no meu entender, está demasiado focado no Rio Ave e no troço a montante da ETA de Prazins, desconsiderando os seus tributários e a sua bacia.

Apesar do seu estatuto de Organização Não Governamental de Ambiente (ONGA), a AVE não foi convidada a fazer parte desse grupo de entidades que elaborou o plano de ação para o Rio Ave, mas tem dado o seu modesto contributo, que poderá de alguma forma ser incorporado nas ações de educação ambiental desse plano.

A Vida da Água, em Guimarães, só vai melhorar quando todos forem convocados e realmente participarem nessa empreitada fundamental de responsabilidade ambiental para a qualidade de vida da sua população.

Director da AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia