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A velha Europa
Terça-feira, Março 6, 2012

A Europa está hoje mergulhada numa crise sem precedentes. Não vou aqui falar-vos do problema, porque esse entra-nos pela casa dentro todos os dias. Greves na Grécia, programas de resgate, mais uma cimeira Franco – Alemã. Enfim. Um vai e vem de informação sem que nunca nos chegue aquela que realmente desejamos. A que nos diz que a Europa conseguiu achar uma saída para a crise do Euro e das dívidas soberanas. Se excluirmos a austeridade desenfreada que nos tem regido, sem qualquer vocação para o crescimento das economias europeias e para o crescimento do emprego, não nos é visível qualquer luz ao fundo do túnel. Essa boa informação nunca chega.

Independentemente das explicações complexas que nos possam dar para as razões da crise, ora seja o completo descontrolo dos mercados defendido durante quase três décadas pelos mais liberais, seja o descontrolo orçamental de alguns países, há uma razão para não conseguirmos sair desta crise. A Europa sofre de uma falta de personalidades políticas carismáticas capazes de ultrapassar as mais difíceis barreiras, como em tempos fizeram Valéry Giscard d’Estaing, Jean Monnet, Jaques Delors ou até Felipe González. Alguns dirão, e eu partilho, que esta “seca” se deve, em grande parte, à viragem a uma direita demasiado liberal que a Europa teve nos últimos anos.

Hoje temos na “liderança” da Europa personalidades menores, sem a visão de senhores de outros tempos. Merkl, a senhora de Leipzig, cidade da ex – RDA que muito deve à Europa que promoveu e pagou a reunificação alemã, é um gigante grão de areia na engrenagem da integração e da solidariedade europeia. Além de uma subserviência incompreensível aos interesses económicos (o Deutsche Bank vai lucrar 80 mil milhões de Euros com metade dos juros da dívida grega), Merkl é refém da opinião pública e do calendário eleitoral do seu país.
Já no que diz respeito a Sarkozy, filho de pai húngaro e de mãe judia, este é apenas um político de duvidosa qualidade e com uma agenda ultra-liberal incompreensivelmente dura no que diz respeito à imigração e ao modelo social europeu, para o qual a sua França deu um contributo inqualificável.

Se a europa se ergueu de duas guerras incrivelmente destruidoras e vive hoje muito melhor que há 50 anos, isso acontece porque houve políticos com visão para erguerem esta enorme aldeia europeia cimentada com solidariedade e fundado no princípio de ajuda aos mais desfavorecidos, pessoas ou países.

Infelizmente não temos hoje figuras que nos liderem e levem a bom porto esta nau europeia em mais uma tempestade.

O pior será que não se vêm sinais de bonança nem marinheiros à altura.