Autárquicas antes do tempo
Quinta-feira, Abril 7, 2016

Isto parece ser cíclico. Quando se aproxima o final de um mandato autárquico e se começam a delinear estratégias para as eleições seguintes, há uma tentação da Direita local em agitar nomes vindos de fora do concelho, ou mesmo do círculo mais estrito da política, como eventuais candidatos pelas suas cores. Foi assim, em tempos, com a sugestão de uma candidatura de Pimenta Machado à Câmara; mais recentemente, o nome de quem se falava era o de Luís Marques Mendes. Desta feita – e parece que agora é mesmo a sério – é José Pedro Aguiar Branco a anunciar-se como cabeça de lista do PSD à Assembleia Municipal de Guimarães.

Percebe-se facilmente o que pretendem os social-democratas com esta escolha: garantir maior visibilidade por via do perfil mediático do ex-ministro e encontrar validação externa (nacional) para a sua ideia de poder em Guimarães. Há vários motivos pelos quais considero errada a opção tática, mas o primeiro e, diria, o mais relevante é este: o PSD volta a mostrar que se importa mais com a forma do que com o conteúdo.

Há pouco mais de dois anos, numas eleições de mudança de ciclo, os vimaranenses foram às urnas sem saber ao certo qual era o projecto de mudança da coligação Juntos por Guimarães. Estamos hoje a mais de metade do mandato e continuamos sem perceber quais seriam as ideias fortes de uma governação alternativa. A oposição faz-se, é certo. Mas sobretudo de combates avulsos (os mais recentes a reboque de outras forças) e críticas a opções concretas. E, no entanto, não se conhece a linha estratégica que pudesse configurar um projecto distinto. Enquanto não resolver isto, o PSD – e o CDS que deverá manter-se como parceiro de coligação – manterá as dificuldades em convencer o eleitorado. Convidar uma figura nacional para caucionar a candidatura quer dar apenas forma a algo cujo principal problema é de conteúdo.

Há outros erros neste anúncio. O quando: estamos a um ano e meio das eleições e o efeito mediático que a escolha de Aguiar Branco poderia significar vai esvaziar-se rapidamente antes sequer de a ideia de que estamos perto das eleições se possa instalar na cabeça dos eleitores. O como: o anúncio foi feito num congresso nacional do PSD, que soou a mudança de ciclo no partido. Só a concelhia de Guimarães não terá percebido que Espinho foi o início do fim de Passos Coelho? Valerá a pena ter a sua candidatura a Guimarães associada a um momento que é um malogro? O porquê: o anúncio de Aguiar Branco à Assembleia Municipal de Guimarães não foi feito pela positiva. Pelo contrário, o ex-ministro fê-lo naquele momento para se desmarcar de uma possível candidatura à Câmara do Porto – que, já se percebeu, será para perder – e para atacar os críticos internos. Guimarães teve, por isso, um papel lamentavelmente instrumental na sua intervenção no congresso.

Além do mais, o papel de Aguiar Branco na Assembleia Municipal vimaranense só servirá como figura de prestígio na presidência do órgão. Perdendo o PSD, não se imagina que mais-valia poderia o ex-ministro aportar àquele órgão autárquico, uma vez que não tem um conhecimento profundo dos problemas e das virtudes do concelho. O que nos leva até ao último problema que este anúncio implica. Diga-se o que se disser, não é fácil argumentar em favor de uma eventual relação de Aguiar Branco com Guimarães que, a existir, é pouco mais do que superficial. Não creio que o “patriotismo de cidade” dos vimaranenses lide bem com pára-quedistas.

Jornalista do Público

Autárquicas 2013 | Coligação Crescer Juntos apresenta-se em S. Clemente de Sande
Quinta-feira, Junho 6, 2013

A cerimónia de apresentação decorreu no passado dia 1 de Junho, na Escola do 1º ciclo de Vieite, em S. Clemente de Sande e, para além dos dois cabeças de lista da coligação à União de Freguesias de Sande Vila Nova e Sande São Clemente, contou com a presença do candidato à Câmara Municipal, André Coelho Lima.

Albano Cruz apresentou-se como líder de um projecto que diz ser de “verdade e responsabilidade”. A número dois da sua lista, Conceição Marques, relembrou, aos muitos apoiantes presentes na sala, o seu passado como autarca daquela freguesia e aproveitou para criticar o lema adoptado pelo PS de Guimarães “continuar Guimarães” referindo ser tudo o que não querem que aconteça, tendo em conta o esquecimento a que as freguesias têm sido votadas pela Câmara Municipal.

Autárquicas nas Taipas
Quarta-feira, Setembro 7, 2005

Para a Junta de Freguesia de Caldelas, já são conhecidas as listas que irão concorrer, são cinco, o que representará um dos actos eleitorais mais concorridos dos últimos anos . A CDU volta a apresentar Cândido Capela Dias, o PS aposta em José Luís Oliveira, o PSD reaparece com Constantino Veiga, o CDS/PP lança João Vicente Salgado e o MTAC com Ângelo Freitas.
 
Antes de mais a novidade destas listas é o facto de Remísio de Castro não se recandidatar. No poder há 12 anos decidiu nestas eleições passar o testemunho, fê-lo quando quis e sem ser empurrado. Os factos não deixam dúvidas, quer se goste ou não, não houve ninguém, nas Taipas, à altura, em todos estes anos, para conseguir derrubá-lo e ainda teve tempo para preparar serenamente a sua sucessão.
Remisio de Castro sai mas fica, pois não podemos esquecer que irá continuar, para já, à frente da Turitermas, do Centro Social Padre Joaquim de Sousa e do Parque de Ciência e Tecnologia, S.A. – Avepark. Não deixa projectos nem uma linha orientadora para o futuro, conseguiu, no entanto, acabar as ditas obras emblemáticas a que se propôs há 12 anos atrás.
 
Portanto, com a saída de Remísio de Castro de cena, estas eleições tornam-se mais incertas e aliciantes. A CDU aposta na continuidade e sem dúvida apresenta o melhor candidato em termos de experiência politico-institucional. Cândido Capela Dias já passou por algumas Assembleias de Freguesia, pela Assembleia Municipal, vereação da Câmara e até pela Assembleia da República. Tem uma forma de estar serena, sem entrar em histerias desnecessárias, mas sempre com um discurso acutilante e objectivo.
 
Ao nível autárquico cada vez mais se torna absurdo votar numa lógica partidária, penso ser mais sensato votar num projecto credível, votar nas qualidades humanas, de gestão e de representatividade de um candidato não esquecendo as pessoas que o acompanham na lista. No entanto e infelizmente, ainda impera o voto partidário e, nesse sentido, parece-me muito pouco provável que a CDU consiga um melhor resultado do que em 2001, que foi excelente. A abstenção poderá jogar a seu favor caso se verifique um aumento da mesma.
 
O Partido Socialista dá um passo arriscado, mas de mérito pela ousadia em apostar no rejuvenescimento com gente completamente nova no actual cenário político. Toda a gente poderia apostar na não recandidatura de Remísio Castro, mas muito poucos apostariam em José Luís Oliveira para o suceder à frente do PS. A dúvida reside em saber se José Luís Oliveira será autónomo ou se, pelo contrário, irá ficar refém do aparelho, leia-se Remísio Castro – António Magalhães – Avelino Marques, que, na minha opinião, são os mentores da sua candidatura pelo PS nestas eleições. Não tenho dúvidas, porque o conheço há muitos anos assim como alguns elementos mais jovens da lista, quanto às suas qualidades humanas, contudo isso não chega, terá que ter carácter para se auto afirmar e marcar o seu próprio terreno.
 
O PSD constitui para mim uma desilusão. Não bastou há quatro anos não ter tido coragem política de apresentar um candidato para agora não ter sido capaz nestes quatro anos fabricar uma candidatura forte e unânime. A solução encontrada foi reintegrar elementos sociais-democratas que representaram os Unidos pelos Taipas, um projecto político que falhou redondamente, encabeçado por um candidato, Constantino Veiga, que ganhou notoriedade pela mão da CDU. Constantino Veiga começou o seu mandato (2001-2005) por defender a bandeira da CDU, pelo meio piscou o olho a Remísio de Castro tentando um namoro mas que falhou e acaba por se candidatar pelo PSD. Não me parece positivo nem para ele, nem para o PSD, um partido com tradição na vila e que até tem um núcleo nas Taipas.
O CDS também volta a apresentar um candidato, desde 1997 que não o fazia e diga-se que a fasquia ficou muito alta. Na altura o candidato era Manuel Marques da Silva e conseguiu 433 votos. Não me parece que esta candidatura consiga alcançar sequer 50% dessa votação, conseguida em 97. O aparecimento de uma lista do CDS/PP só veio beneficiar os partidos da esquerda
Uma lista de independentes patrocinada pelo MTAC não me parece que será um factor perturbador no resultado. Este movimento joga uma cartada muito importante para o seu futuro, mas muito sinceramente não me parece que tenha qualquer hipótese de sucesso, arriscando-se mesmo a sentenciar o seu desaparecimento.
 
Como já referi, as qualidades e credibilidade dos candidatos assim como os projectos e o programa eleitoral devem ser a base para uma orientação de voto. Para já não se conhecem os programas nem os projectos, conhecem-se as pessoas. Muito provavelmente, eu arriscaria em dizer que vamos voltar a ter um resultado dividido, sem maiorias, com uma palavra a dizer por parte da CDU e seria para mim uma surpresa uma vitória do PSD. A luta pela conquista dos tradicionais abstencionistas e dos indecisos poderá ser determinante no resultado final, se o PS e PSD não cativarem esta franja da população, o principal beneficiado será a CDU.

jcunha@reflexodigital.com

Autárquicas 2005
Segunda-feira, Setembro 5, 2005

Caros leitores, venho neste número escrever-vos pela última vez antes das autárquicas, tema esse que vou abordar neste número.

Capítulo I

Um dirigente do Partido Socialista veio às páginas deste jornal dizer que o P.S. há muito tempo vem preparando os seus “futuros candidatos”, introduzindo-os nas principais associações da Vila, assumindo assim, de uma forma expressa que utilizam as associações, colocando-os ao serviço do Partido socialista. Embora reconhecendo a “sinceridade” destas afirmações, isto de facto, anda tudo ao contrário. No passado, os partidos reconhecendo o trabalho dos dirigentes associativos convidava-os para estes pertencerem às suas listas. No presente, e concretamente na nossa Vila, o P.S. assume, com toda a “naturalidade” que utiliza as associações ao serviço do partido.

E se o dizem melhor o fazem!

O actual candidato do P.S. a Presidente da Junta de Freguesia, na sua carta de apresentação aos taipenses, entendo que teve necessidade de a fazer, refere e menciona no seu extenso curriculum…, as associações da Vila de que faz ou fez parte. Acho que não deveria ter feito, já que na minha opinião teria de pedir em assembleia geral dessas associações se poderia usar o nome destas na campanha. Se o trabalho no movimento associativo for relevante não é necessário mencioná-lo, mas pura e simplesmente é reconhecido.

Embora nos seus cartazes de campanha faça um acto de Contrição e reconhece, ao contrário de todos os outros candidatos do P.S. das restantes freguesias, que afinal as Taipas não o conhece, é só “por Caldelas” que se candidata.

Capítulo II

Diz-se por aí que o actual Presidente da Junta não gostou que o Tesoureiro, Constantino Veiga, acompanhasse o passeio a Santiago de Compostela, organizado pela Junta de Freguesia.

Ainda bem que foi e que participou neste convívio Sr. Tesoureiro, é bom sinal. É sinal de mudança, o da presença contra a ausência.

Mas a questão essencial é esta: os nervos andam à flor da pele. O Partido Socialista anda incomodado porque a actual Junta de Freguesia tem um tesoureiro que quando assume qualquer projecto ou actividade, o/a realiza com sucesso.

É pena, digo eu, Sr. Arquitecto Constantino Veiga, deveria ter chegado às Taipas, pelo menos há 16 anos. De certeza que a nossa Vila estaria diferente – talvez um “brinquinho”.

Por último uma palavra de apreço aos meus colegas cronistas permanentes, Professor Paulo Pereira e Dr. Capela Dias bem hajam e até a um próximo encontro. E aos leitores que tiveram a paciência de ler as minhas crónicas durante estes quase quatro anos, um até breve!

E viva as Taipas!