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Augusto Santos Silva no aniversário do GIG
Domingo, Março 25, 2007

O Ministro dos Assuntos Parlamentares anunciou que não é intenção do Governo acabar com o regime de porte-pago. Presente no 31º aniversário do Gabinete de Imprensa de Guimarães (GIG), referiu que a comparticipação do estado para 2006 será de 60 por cento.

Este apoio será igual tanto para a correspondência nacional como para a internacional.
O Ministro fez questão de referir que o decreto-lei já foi aprovado e será publicado em Diário da República nos próximos dias.
O documento aponta uma redução do apoio para a expedição de jornais de 50 por cento em 2008 e de 40 por cento em 2009. Augusto Santos Silva afirmou que muito se tinha falado sobre este assunto e desmentiu, desta forma, que era intenção do governo acabar com o porte-pago e abandonar a imprensa regional. “O governo vai gastar mais de 20 milhões nesses três anos para manter esse apoio”, vincando que estes apoios devem ser encarados como transitórios e que os jornais devem ter a capacidade de “perceber” os leitores. “A imprensa só pode ser consolidada com o reforço dos leitores”.
Augusto Santos Silva, convidado de honra da sessão solene do 31.º aniversário do Gabinete de Imprensa de Guimarães – Associação de Profissionais e Colaboradores da Comunicação – apresentou uma retrospectiva das medidas que os sucessivos governos tomaram nos últimos anos. Salientou que não é por falta de apoios do estado que a imprensa não tem procedido a uma reconversão e modernização com vista ao aumento de leitores. “Foram lançadas diversas medidas de apoio à imprensa na ordem de milhões de euros que não obtiveram um retorno de mais leitores.” O Ministro dos Assuntos Parlamentares falou ainda do incumprimento da lei da publicidade e da abertura para o mês de Abril do portal da imprensa regional que estará disponível para os títulos que assim o desejarem.
Esta sessão solene do aniversário do GIG, para além da presença do responsável do governo pela pasta da comunicação, contou com a presença de António Magalhães, Presidente da Câmara Municipal de Guimarães; José Miguel Pereira, director do Diário do Minho; Paulo Monteiro, director do Correio do Minho e Manuel Carvalho, director-adjunto do Público.

O Director do Diário do Minho realçou a presença e o papel desempenhado pelo seu diário nesta região e destacou ainda os fortes investimentos registados recentemente. “Foram cerca de 5 milhões de euros para dar uma melhor resposta a quem nos procura. São impressos na nossa gráfica cerca de 60 jornais todas as semanas.” Referiu a abusiva utilização do Direito de Resposta, o facto da publicidade estar regulamentada mas “não é fiscalizada” e referiu-se ainda ao curso de jornalismo existente na Universidade do Minho que pode estar a lançar demasiados licenciados para o mercado de trabalho, quando o ideal seria a formação de “poucos mas bons profissionais”.

Paulo Monteiro, director do Correio do Minho, na sua intervenção destacou a aproximação que o seu diário regista com a população. “Procuramos ir de encontro aos anseios e às dificuldades da população e damos voz a muitas situações que não passam nos jornais nacionais”. Paulo Monteiro afirmou ainda que os jornais regionais são o “maior veículo de alfabetização da população”.

Por sua vez, o director-adjunto do Público debruçou-se sobre a questão do jornal em papel e a sua versão na Internet, afirmando que a migração dos leitores do jornal em papel para o digital se trata de uma “mudança inexorável”.
Um dos problemas a que Manuel Carvalho se referiu sobre a utilização da net é o de que as pessoas “têm a ideia que a net é gratuita”. Mais adiante foi repensando o papel dos jornalistas no mundo actual e os desafios que lhe são colocados, por exemplo, pela utilização dos blogs. “Os blogs são mais acutilantes, enérgicos e actuais e acabam por debater de uma forma mais incisiva determinadas questões.”
Não deixou de passar pela “febre” legislativa que o sector da comunicação social atravessa. De positivo destacou a questão das incompatibilidades ficar mais transparente na nova legislação e de negativo referiu que não concorda com a obrigatoriedade do acesso à profissão estar reservada a pessoas com formação superior. “Se esta lei fosse aplicada há vinte anos atrás, muitos dos bons jornalistas actuais não teriam surgido.”

Paulo Machado, presidente da direcção do GIG, no final da sessão solene mostrou-se agradado pela forma como decorreu o 31º aniversário desta instituição de utilidade pública. “O GIG está a abrir novos horizontes e a expandir-se no seio da classe jornalística e dos profissionais e colaboradores da comunicação.” Neste sentido, é de salientar o protocolo de colaboração estabelecido com os alunos de Comunicação Social da UM.

Alfredo Oliveira

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