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Até em escolas se desperdiça
Segunda-feira, Janeiro 9, 2012

A recuperação, alargamento, e reconstrução de muitas escolas secundárias do país foi uma das medidas de responder à crise financeira internacional de 2008. A unanimidade então surgida passava por recuperações do património estatal de modo a potenciar a criação de emprego nas pequenas e médias empresas e, por consequência, amenizar os impactos e efeitos da crise. O projecto, a estratégia, os objectivos – são estas palavras que os demagogos gostam de usar para parecerem competentes parecia ajustada.

Quando os portugueses se aperceberem, ainda não aconteceu, da real dimensão das obras – em mais de 200 do país – e principalmente do preço pago pelas recuperações dessas escolas, vão ficar severamente preocupados, sentimento que aumentará quando tiverem consciência de que o preço vai ser pago no futuro com juros altos. Já assisti a muitas criticas contundentes acerca da extensão e da irracionalidade de muitas daquelas obras e não vi ninguém responsável pelas mesmas vir a público defendê-las. Este facto indicia que, realmente, as criticas negativas à megalomania dos projectos são justas e proporcionadas. No entanto, não se passa nada. Quem fez, fez! E quem vier atrás que feche a porta.

A “bebedeira” colectiva das escolas secundárias foi devidamente acompanhada pelas desproporcionadas obras que se estão a fazer nas escolas básicas do concelho. Digo desproporcionadas porque se estão a fazer escolas para alunos que não vão existir produzindo futuros edifícios fantasmas.

Em contra ciclo com o número de alunos, elas multiplicam-se: sem planeamento, sem estratégia, sem finalidade de médio/longo prazo. A politica do logo se verá, e o que interessa é o momento, é desastrosa para o país e para os portugueses. Sei que ninguém se preocupou com isso até há bem pouco tempo: só quando começaram a sentir na sua carteira a consequência da irracionalidade e da irresponsabilidade – veja-se o corte na retribuição dos subsídios de férias e natal – é que os cidadãos começaram a acordar.

A carta escolar do concelho há muito deveria ter sido estudada, discutida e reformulada. As escolas básicas estão a fechar e vão fechar muitas mais. Perante esta realidade era imperioso repensar toda a carta escolar do concelho de modo a evitar-se o gasto em construção de escolas novas e requalificação de outras que, manifestamente, não vão ser necessárias como escolas – reconhecer isto é difícil e desagradável.

Nas Taipas, ainda se encontram em curso as obras da EB1 do Pinheiral, obras que atravessam, praticamente, dois anos lectivos. Os alunos, nesse tempo, têm sido alocados à escola secundária. Por isso, aqui, também, era necessário repensar o parque escolar, o número de estabelecimentos de modo a tornar realmente úteis os milhões e milhões de investimento que se fazem.

E porque não equacionar a fusão dos ciclos básicos 1 e 2 num mesmo estabelecimento prescindindo de outros.

Seria bom pensar nisso devendo os administradores políticos serem avaliados mais pelo bom senso das decisões do que pelo número de obras que promovem com o NOSSO DINHEIRO.