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Associativismo local
Sexta-feira, Novembro 2, 2007

O sentido das cidades faz-se quando existem pessoas dentro delas. O sentido de comunidade é mais forte, quanto mais forte for também a forma como as pessoas se relacionam. Daí que não faça sentido uma cidade onde não hajam relações inter-pessoais. Uma cidade de condomínios fechados dificilmente ou nunca será uma cidade.

O associativismo é um instrumento de organização de grupos de pessoas em torno de objectivos comuns e sobre os quais intervêm na sociedade. Há associações sobre os mais diversos âmbitos temáticos, sendo o norte litoral do país onde se regista um maior número de associações (muito naturalmente já que é também das regiões com maior densidade populacional).

O trabalho publicado na última edição do jornal Reflexo, acerca dos primeiros anos do Centro de Actividades Recreativas Taipense (CART), convida a uma reflexão sobre as bases do associativismo e sobre a validade das mesmas, num contexto em que as sociedades se tornam cada ver mais individualistas.

Conforme as histórias iam discorrendo fui, aqui e ali, encontrando paralelo relativamente a uma outra história, esta mais recente e na qual, saiba-se, estou directa e activamente envolvido – o Movimento Artístico das Taipas (MAT), talvez a mais nova associação taipense. É por isso proveitoso ir aprendendo com estes “velhotes” enquanto é possível.

As ideias base estão lá e são comuns, se não todas, quase todas: o prazer e o divertimento de organizar eventos culturais (neste caso), de forma altruísta, voluntária e solidária. Ao mesmo tempo a promoção do desenvolvimento local.

O CART mudou muito em trinta anos e chegou-se à conclusão, na naquela conversa, que dificilmente o CART poderia ser o que foi, devido a uma grande dificuldade na mobilização das pessoas. É bom lembrar que nada disto faz sentido sem pessoas. Estas hoje estão dispersas, não se conhecem. A realidade taipense de hoje mistura um certo bucolismo de outros tempos, que ainda vai resistindo, com um toque manifestamente suburbano, em que o vizinho do lado é olhado com desconfiança. Isto faz toda a diferença e pode explicar a crise que se vive actualmente no associativismo local, visível nomeadamente nas sucessivas crises directivas dos últimos anos do CC Taipas e agora do CART.

O problema pode ser este – as associações não conseguem renovar-se. Dizer que não existe vontade é mentira, caso contrário não apareceriam novas associações, algumas num esquema informal.

Parece-me claro este ponto: como as associações não se renovam, criam-se outras novas, com objectivos parecidos ou adaptados a novos interesses e procuras. Para inverter esta situação, é necessário que as associações se tornem permeáveis e flexíveis tendo em conta o que deverão ser, o mais genericamente possível, os interesses dos seus associados.

Um caso que me parece ser um bom exemplo de renovação foi a eleição de Alberto Lima Pereira para a Direcção CART. Lima Pereira está no CART há muitos anos e, naturalmente, chegou a altura de comandar os destinos do CART. Uma solução difícil, que pode ser analisada com desconfiança, mas que deveria ser antes encarada como uma sucessão natural.

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