PUB
A solidariedade é uma necessidade
Sexta-feira, Outubro 7, 2011

Nós podemos facilmente constatar que necessitamos dos outros, que a solidariedade se impõe.

Para virmos ao mundo, foi preciso que os nossos pais o tivessem decidido. A eles devemos o terem desejado que nós viéssemos a este mundo e existíssemos, saboreando hoje a imensa alegria de viver.

Para nos afirmarmos como pessoas, necessitamos dos outros. Sem eles, ninguém poderia pronunciar o nosso nome e dar-nos uma identidade. Com eles podemos expressarmo-nos como pessoas que pensam e sentem.

Para podermos subsistir e crescer saudavelmente, necessitamos do esforço de todos os cidadãos, desde o padeiro ao condutor do autocarro, dos professores aos médicos, dos funcionários dos serviços públicos e privados, de tanta gente.

Para nos podermos sentir felizes, precisamos de pessoas que nos escutem, nos respeitem, nos estimem, nos amem verdadeiramente. Sem esse amor, a nossa vida murcharia como uma planta sem sol e sem água. O nosso viver perderia todo o sentido.

Por outro lado, podemos facilmente constatar que os outros necessitam também de nós.

Nas famílias há pais e filhos que, mesmo sem o dizerem por palavras, precisam do carinho e afecto que faz da família um espaço onde apetece estar. A família torna-se um oásis no meio do deserto do individualismo e egoísmo.

Nos grupos de colegas há sempre algum que é marginalizado porque tem um temperamento tímido, porque não tem grandes qualidades, porque é de condição humilde e não veste as roupas da moda ou por qualquer outra razão. Pedem a nossa companhia. E sentimo-nos felizes quando vamos ao seu encontro.

Nos ambientes de trabalho há sempre quem precise de um gesto de solidariedade. Acontece, por exemplo, quando alguém cai no desemprego e as pessoas se mobilizam para que, se necessário, não lhe falte nem a ele nem à sua família o pão de cada dia. E sentimo-nos felizes neste partilhar do nosso pão com o necessitado.

Os outros necessitam verdadeiramente de nós para sentirem que são um “tu”, que são alguém com personalidade, com direitos e deveres. Precisamos de ver em cada pessoa uma interpelação a sermos solidários.

Por fim, constatamos que a solidariedade é também um caminho a percorrer.

Vai-se fazendo caminho ao andar. E é ao andar que nos encontramos com os outros. Esses outros, uns caminham connosco, outros estão à beira do caminho a suplicar auxílio. Uns caminham por si e outros necessitam de amparo para poderem avançar. Uns são saudáveis e outros necessitam de cuidados.

A solidariedade é um caminho a percorrer. Jesus Cristo, ao querer dar uma lição acerca da solidariedade, inventou uma parábola em que a cena principal se desenrola num caminho. À beira da estrada de Jericó está um ferido suplicante. Passa o sacerdote e o levita, que desviam o olhar e seguem em frente. Depois passa também o samaritano, que o socorre.

A solidariedade é um caminho a percorrer. Ao longo da história, muitas pessoas gastaram a vida pelo valor da solidariedade, sendo sensíveis aos gritos que a cada momento ouviam durante o seu peregrinar pelos caminhos do mundo. Uns escutaram doentes e moribundos, outros foram mais sensíveis aos jovens desorientados e abandonados.

A solidariedade é um caminho a percorrer. Nunca seremos suficientemente solidários. Cada um de nós é uma pessoa constantemente em construção. E, como sabemos, quando somos crianças somos tudo menos solidários. O que queremos é ser o centro do mundo e apenas receber dos outros atenções a carinhos. Quando somos adolescentes e jovens, começa a educação para um projecto de vida onde entra a solidariedade, a fraternidade, o amor feito doação. E o tempo da idade adulta é sempre uma aprendizagem na arte de viver em solidariedade.