As misteriosas mamoas
Quarta-feira, Dezembro 30, 2015

Característicos de um período histórico amplo conhecido genericamente como Pré-história Recente, os monumentos megalíticos fazem parte do imaginário comum. Antas ou dólmenes e menires são conhecidos pela maioria das pessoas. Existem, no entanto, diferentes tipos de monumentos megalíticos, que constituem os primeiros exemplos de arquitetura monumental, sempre associada ao mundo dos mortos e aos rituais funerários. O que conhecemos tradicionalmente como “mamoas” (ou “mamunhas”, por vezes) são os monumentos mais comuns na região do Minho. O nome corresponde, no entanto, a apenas uma parte do conjunto destas curiosas construções, utilizadas desde há mais de seis mil anos.

As mamoas correspondem a montículos artificiais de terra, com dimensões que variam entre um diâmetro pouco maior que uma pessoa, até vários metros, que cobriam um sepultamento. As conhecidas antas, câmaras sepulcrais, seriam também elas cobertas por uma mamoa. A maioria dos túmulos, no entanto, eram sepultamentos mais simples, sem uma câmara construída. O monte de terra, que era depois coberto com uma camada de pedras, chamada couraça, assinalava a existência destas sepulturas, que não passavam despercebidas a quem circulava pelo território. As mamoas são, portanto, monumentos que caracterizavam a paisagem humana em tempos pré-históricos, muito anteriores ao surgimento de outras construções, como os castros, por exemplo.

Vários túmulos com mamoa foram identificados no Concelho de Guimarães. Existe mesmo alguma profusão destes megálitos entre as freguesias de Caldelas, Barco e S. Salvador de Briteiros. No entanto, tratando-se de vestígios arqueológicos particularmente frágeis, tendo em conta a sua antiguidade e o facto de serem construções simples, muitas terão sido destruídas. Falamos de monumentos que desaparecem com uma simples terraplenagem, ou que são danificados pelo plantio de árvores como o pinheiro ou o eucalipto. Conhecemos aliás referências a mamoas cuja identificação no terreno é seriamente dificultada pela cobertura florestal atual. Além disto, muitos destes túmulos foram saqueados, na esperança, infundada, de encontrar objetos valiosos.

As mamoas devem ser, por imposição moral e legal, preservadas, de forma a possibilitar o seu estudo, se não hoje, daqui por uns anos. Ao contrário de outros vestígios arqueológicos, é difícil musealizar, ou seja, tornar visitável, uma mamoa. Mais fácil seria se dispuséssemos de um conjunto de mamoas no mesmo local. Ainda assim, a sua valorização implica a existência de informações e de suportes gráficos que ajudem à interpretação destes monumentos que, à primeira vista, são simples montículos de terra.

Arqueólogo