As migalhas do orçamento
Terça-feira, Março 11, 2003

A conta das obras no estádio do Vitória constrange a actividade da Câmara e reflecte-se, como não podia deixar de ser, no adiamento de obras socialmente mais úteis e prioritárias.

Não tenho dúvidas que muitos cidadãos acham bem esta obra. No dia a dia confronto-me com concidadãos defensores do máximo apoio ao clube. Desculpam a Câmara, perdoam ao PS e até se insurgem contra quem defende o contrário.

Quando o PS e o PSD cozinharam um negócio pré-eleitoral pelo qual se comprometeram a dar o estádio, com 500 mil contos de recheio, os eleitos pela CDU foram insultados e agredidos numa célebre assembleia municipal onde o acordo foi transformado em oferta, porque recusaram a negociata e as suas consequências na vida dos vimaranenses, dos que gostam de futebol e dos que o ignoram.

Perdoei-lhes e não mudei de opinião.

Apesar de o Vitória ser o meu clube de coração, hoje como ontem entendo que a parte que lhe tem cabido do orçamento municipal é exagerada, desproporcionada e extemporânea.

À boleia do Euro 2004, milhares e milhares de contos dos contribuintes estão a ser gastos no estádio, que é do Vitória. O que só por si seria um exagero face ao valor social do investimento, adquire foros de escândalo a partir do momento em que a maioria da Câmara decidiu pagar todas as obras, libertando o clube da sua quota-parte de obrigações.

Os efeitos de tal opção do PS não se fizeram esperar. O orçamento municipal de 2003 está fortemente condicionado. Faltam os meios, sobram as obras em lista de espera. A migalha atribuída às freguesias para obras, igualmente votada na última reunião, é a confissão de políticas erradas. A ninharia que cabe às Taipas, mal dá para remendos.

Em 2004, desarmadas as tendas do Campeonato da Europa, quando as cadeiras do estádio ficarem às moscas, então muita gente dirá como nós: demasiado dinheiro gasto para obra de tão pequeno efeito na vida das populações.