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As cutelarias e o crocodilo
Terça-feira, Fevereiro 11, 2003

Pela comunicação social ficamos a saber do encontro de industriais das cutelarias, onde as questões do futuro do sector foram abordadas na perspectiva de um mercado de crescente agressividade concorrencial. É uma questão que interessa às Taipas.

Comparando as unidades industriais de hoje com as de alguns anos atrás, a diferença é substancial, para melhor. É visível o esforço de modernização, não apenas de fachada, isto é ao nível das fachadas dos estabelecimentos, mas no seu interior, na funcionalidade das diversas áreas, com melhorias significativas nos capítulos do ambiente, da higiene, segurança e saúde do trabalho.

Também são inegáveis os esforços na introdução de novos equipamentos, com incorporação de maquinaria automatizada e robotizada, além de mudanças positivas na organização e na gestão, embora neste capítulo muita coisa tem de ser feita, abandonado métodos e práticas incompatíveis com os nossos dias.

Nas cutelarias, como em outras actividades, ou os nossos empresários se consciencializam de que os métodos e regras do passado estão tão ou mais desactualizados do que a maquinaria obsoleta que não compram mais, ou então correm o risco de se desdobrarem em lamentações estéreis, invocando a torto e a direito o patrocínio do santo protector e do governo para os livrar dos males de que padecem e aos quais querem permanecer agarrados enquanto à sua volta o mundo se transforma e a concorrência globalizada lhes bate à porta.

Cada empresa por si, atenta a sua dimensão económica, não reúne as condições para se opor e vencer a batalha da concorrência global, porque ela exige meios e recursos avultados e fora do seu alcance. Antes do mais, importa adquirir consciência da vul-nerabilidade do sector, porque sem essa consciencialização vamos continuar a assistir às empresas mais preocupadas com o vizinho do lado do que com o concorrente que vem da Coreia do Sul e cujos produtos estão à venda num supermercado perto de nós.

Mais vale tarde que nunca, e a hora é de valorizar o que é comum em prejuízo do egoísmo individual. Agora e sempre, precisa-se de reforçar os laços de solidariedade e remeter para plano secundário o individualismo. Contemporizar com a desunião é proceder como o incauto aflito que vai alimentando o crocodilo ameaçador na esperança de fugir à morte. É comido depois dos outros o terem sido.

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