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A salvaguarda da Caldelas romana
Quinta-feira, Novembro 5, 2015

Refletindo sobre os vestígios arqueológicos da época romana, que aflorámos nas nossas anteriores publicações, facilmente nos apercebemos que sob a atual vila das Taipas repousam os restos de uma antiga povoação de consideráveis dimensões e importância, algures entre os séculos I e II da nossa era. Não temos necessariamente uma “cidade romana”. Mas também podemos ter, quem sabe. Sobretudo quando o que se sabe não é muito.

De qualquer forma, em primeiro lugar por ser essa uma obrigação imposta pela nossa consciência e pela nossa legislação, em segundo porque pode potenciar novas dinâmicas culturais e económicas, o passado romano das Taipas, que reputamos como único no concelho de Guimarães, deve ser salvaguardado. É único porque, de entre vários sítios arqueológicos de época romana detetados no concelho, o vicvs das Taipas era provavelmente o mais importante deste território, e o único aglomerado urbano conhecido.

A proteção deste importante património faz-se através de meios legais e, consequentemente, pelo seu estudo integrado e a sua inserção no tecido urbano atual. É contudo necessário, antes de tudo o resto, que se assuma a relevância deste património e das suas potencialidades. Ou seja, é necessário galvanizar a sociedade civil e as instâncias políticas, para um projeto de salvamento e de estudo, em colaboração com meios académicos experimentados.

Enquanto se pensa nessa possibilidade, muito remota, posto que não passa de uma ideia para uma linha de trabalho, há uma ação que se nos afigura de extrema importância: a classificação e proteção legal do núcleo histórico da vila das Taipas.

Como já aqui referimos, os monumentos classificados na vila resumem-se à Ara de Trajano e à ponte moderna sobre o rio Ave, cada um com a sua zona de proteção. A classificação de edifícios como os Banhos Velhos e as ruínas romanas que se preservam no local, bem como de outros edifícios históricos que integram o centro da vila, faria ampliar significativamente a área protegida.

Como sabemos, os perímetros das zonas de proteção definem a obrigatoriedade de acompanhamento arqueológico de todas as afetações do subsolo ou alterações estruturais, dependendo dos casos, bem como de escavação arqueológica nas zonas em que se justifique este tipo de intervenção.

A criação, fundamentada nos elementos históricos disponíveis, de uma Zona Especial de Proteção para o antigo vicvs das Taipas garantiria uma proteção legal mais eficaz da área da antiga povoação romana. É, naturalmente, apenas um ponto de partida.

Arqueólogo da Sociedade Martins Sarmento