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As Taipas vão sair do mapa autárquico?
Quinta-feira, Abril 7, 2011

A Assembleia Municipal de Guimarães vai estudar a redução do número de freguesias, em consequência de uma iniciativa do PSD.

A ideia nasceu em Lisboa, fruto da relação extraconjugal entre a PS e o PSD da Câmara local, e tende a ser reproduzida nas autarquias onde ambos os partidos disponham de maioria, como provam movimentações em outros municípios do distrito e não só.

Cavalgando a onda da redução da despesa pública como remédio único para salvação das contas públicas e tranquilidade dos credores, os proponentes sentaram-se à volta da mesa e, com régua e calculadora, trataram de desenhar as novas freguesias, desde que mais baratas.

Por consequência desse processo de fusão de umas freguesias nas outras, obtém-se a diminuição do número de eleitos, nas juntas de freguesia e nas assembleias de freguesia, o que, no ponto de vista de PS e PSD, é a única coisa que interessa sendo desprezível se a distância da periferia ao centro da freguesia, penaliza as populações e estimula à não participação activa dos cidadãos no acompanhamento dos órgãos autárquicos.

Confesso que não tenho objecção de princípio a um debate sério, rigoroso e profícuo em torno da organização territorial e administrativa do país. Considero-o útil, oportuno e até atrasado no tempo. Mas já me repugna a ideia de que esse debate recuse outras conclusões que não sejam as previamente aprovadas. Repugna-me a ideia de participar numa discussão cujos resultados estão predefinidos, porque uma tal discussão não é senão um simulacro de discussão, não é senão uma manobra de legitimação de decisões que outros tomaram nas minhas costas.

De facto, o que PS e PSD se preparam para fazer em Guimarães é traçar o destino das freguesias à imagem e semelhança do que fizeram em Lisboa: criar mega freguesias por anexação das mais pequenas, sem sequer perguntar aos órgãos das freguesias o que eles pensam e sem ouvir as populações abrangidas. É o come e cala do fascismo, onde uns iluminados pensavam e decidiam por e em nome dos portugueses sem os consultar.

Isto quer dizer que Caldelas tanto pode crescer como pode sumir. Mas em qualquer dos casos, com os taipenses à margem.

Se quiserem um debate sobre a organização política e administrativa do país em que as populações participem e sejam respeitadas, estou disponível. Para processos de contabilidade de ganhos e perdas, não.