As Taipas precisa de “Cunhas”
Terça-feira, Dezembro 6, 2011

Felizmente que há jornalistas que pegam em temas que muita gente fala deles mas ninguém lhes quer pegar. Afinal trata-se de perceber em que consiste a “CUNHA”. Todos dizemos que a “cunha” é uma instituição nacional pois até deu origem ou é um derivado de um nome de família português. E se, muitas vezes, existe correlação entre os nomes portugueses e estrangeiros neste particular não conheço. A cunha é mesmo nossa e só nossa e só não a propomos a património imaterial da humanidade porque a Troika não deixa; mas se ela tem chegado mais tarde uns meses, trocávamos, facilmente, a candidatura do fado pelo da cunha; e o mundo iria ver que estaria mais bem servido de “cunhas” e agradeceriam pois é necessário meter uma cunha para que os Chineses e os Indianos se reproduzam menos e produzam muito menos. E se o mundo, a ONU e a UNESCO, imaginassem sequer das variedades de “cunhas” de que o nosso país é fértil, não éramos nós os proponentes eram eles – sim eles – que tomavam a nossa cunha como deles e proclamavam-na património da humanidade; sem candidatura e sem embaixadas desnecessárias, pois a riqueza da nossa cunha resolvia até o problema dos défices excessivos e do EURO; era simples: era só meter uma cunha.

Chegado aqui convém, por aproximação, adquirir o conceito de cunha: ele é o pequeno favor – vê lá o que podes fazer, alguém diz; ele é a recomendação de um amigo; ele é o pedido mais ou menos expresso ou envergonhado; ele é o dinheiro para comprar decisões – corrupção; ele é o filho de “fulano”; ele é a cumplicidade partidária; a influência de um cargo e tráfico de influências; e mais e mais…no país dos frangos, chouriços e dos presuntos, a cunha é consentida e socialmente aceite onde assenta, de forma sedimentada, a viciação e suspeição da vida social.

E quantas cunhas há nas Taipas? Perguntam-me alguns com olhos gastos. E eu que não sei nada disso, respondo que não há nenhuma: nem na junta; nem no Centro Social; nem na Turitermas e até nem no Ave Park – escusam de dizer que não é das Taipas. É uma terra limpa de cunhas – um paraíso plantado junto ao berço da nação.

As únicas cunhas que existirão e que vão ser aplicadas nas Taipas são as que despoluirão o Rio Ave; a Ribeira da Canhota; limparão o parque de lazer; limparão as casas de banho públicas; tornarão as piscinas (públicas) baratas, tanto cobertas como descobertas; edificarão um lar de idosos; destacarão funcionários camarários para varrer a alameda; varrer o parque; cunhas que construirão um gimno-desportivo de acesso gratuito, para a glória de alguns e proveito de poucos. Precisámos de boas cunhas e baratas, pois estamos fartos de cunhas caras.

AH!… Até agora só houve cunhas para gastar em projectos – rodos de dinheiro que ele não custa a ganhar e alguém vai pagar, se não for esta governança haverá de ser outra. Afinal, Taipas é Portugal.