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As Caldas das Taipas no I Congresso Nacional de Turismo (1936)
Quinta-feira, Junho 23, 2016

De 12 a 16 de janeiro de 1936, na Sociedade Portuguesa de Geografia, em Lisboa, realizou-se o I Congresso Nacional de Turismo. O concelho de Guimarães estaria representado com duas comunicações, que seriam publicadas nos respetivos livros das atas. Uma das palestras apresentada por Alfredo Guimarães, diretor do Museu Regional de Alberto Sampaio, intitulava-se “Guimarães e o Turismo”, integrando a II seção do mesmo congresso.

Na IV seção, encontrámos a conferência apresentada pelo Dr. Alfredo Fernandes, denominada “Termas das Taipas: estância de Turismo”. Este trabalho pioneiro é um dos mais importantes do género sobre o turismo termal taipense. Em quatro páginas, o Dr. Alfredo Fernandes, no seu texto redigido a 1 de novembro de 1935, promovia em Lisboa, as termas das Taipas como estância de turismo.

O autor inicia o seu texto com uma caracterização geográfica da povoação, seguindo-se uma referência às infraestruturas então existentes e uma descrição pormenorizada do moderno Hotel das Termas. Segue-se um breve historial do aproveitamento das águas termais ao longo da História, bem como as características geomorfológicas das águas e comparando as águas das Taipas, com águas similares portuguesas e estrangeiras, nomeadamente francesas. Descreve ainda os balneários termais (“Banhos Velhos” e “Banhos Novos”) e os modernos tratamentos termais aí realizados. Refere-se às qualidades terapêuticas das águas mineromedicinais das Termas.

O autor destaca ainda as belezas paisagísticas e monumentais das Caldas das Taipas e dos seus arredores (nomeadamente o Castro de Sabroso e a Citânia de Briteiros) e a excelente localização geográfica da estância termal. Neste texto é ainda referenciado o tradicional dia de feira e o campo de jogos desportivos onde se podiam realizar torneios de tiro, futebol e automóvel, graças à iniciativa do Clube Caçadores das Taipas.

Nesta comunicação em que o potencial turístico de Caldas das Taipas é promovido a nível nacional, o Dr. Alfredo Fernandes finaliza o seu texto com estas elucidativas palavras:

“e assim as Taipas (…) devem afoitamente dizer-se uma esplendida estancia de cura e turismo (…) e a nossa proposta é que o Congresso assim as classifique, reclamando dos Poderes Constituidos a sua elevação à categoria de vila, a zona de turismo, com tôdas as regalias inerentes e protecção oficial que têm jus para o desenvolvimento do seu grandioso fim de alavanca da cura e do turismo, de precioso concurso para o engradecimento e renome do nosso querido Portugal”.

Estas palavras vanguardistas redigidas pelo Dr. Alfredo Fernandes há 80 anos, teriam a sua plena concretização pouco tempo depois. Pelo Decreto-Lei n.º 27424, de 31 dezembro 1936, em substituição das Comissões de Iniciativa são criadas as Juntas de Turismo. Imediatamente é formada a Junta de Turismo da Estância Termal das Taipas. Outro dos anseios do Dr. Alfredo Fernandes seria materializado, a 19 de junho de 1940, com a elevação das Caldas das Taipas à categoria de vila.

O Dr. Alfredo Fernandes (n.1886 – f.1941) foi médico e diretor clínico das Termas das Taipas. Em 1922, foi um dos fundadores e dirigente do Clube de Caçadores das Taipas. Nesse ano é um dos fundadores e diretor do “Jornal das Taipas”. Durante a I República assume alguns cargos camarários. Publicou diversas monografias dedicadas às Caldas das Taipas.

Posteriormente, ainda no século XX, as Caldas das Taipas estariam representadas em diversos congressos de termalismo em Portugal e Espanha, através de palestras proferidas pelo taipense José de Oliveira (n.1909 – f.1986), na qualidade de Diretor da Empresa Termal das Taipas S.A.R.L., concessionária da exploração das nascentes termais.

Historiador