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As águas termais das Taipas na Exposição Industrial de Guimarães (1884)
Quinta-feira, Fevereiro 4, 2016

Após a Romanização, as nascentes termais de Caldas das Taipas só foram (re)descobertas no século XVIII por Cristóvão dos Reis, frade carmelita, administrador da botica do seu convento em Braga, que chamou a atenção para as virtudes terapêuticas das águas mineromedicinais. Este religioso publicou, em 1779, uma obra onde exalta as virtudes curativas e a aplicação terapêutica destas águas. Até ao início do século seguinte, os banhos termais eram tomados em poços cavados na terra e cobertos com ramos de carvalho. Apenas se construíram algumas barracas de madeira, mais para evitar os atentados ao pudor do que propriamente para comodidade dos aquistas.

Em face das precárias condições de utilização das nascentes termais, em 1818, a Câmara Municipal de Guimarães resolveu expropriar a área situada no Campo do Tapadinho para aí construir um pequeno balneário, no qual era canalizada a água captada em cinco nascentes diferentes. Entre 1844 e 1867, as obras em curso puseram a descoberto a quase totalidade das ruínas dos balneários romanos, cujo ladrilhado de grandes tijolos foi em parte reutilizado na edificação das novas infraestruturas termais.

Durante a primeira metade do século XIX realizaram-se diversos estudos corográficos da localidade e procederam-se a análises químicas das captações das águas termais. Em 1874, no mesmo local iniciou-se a construção de um novo edifício, contíguo ao anterior, em forma dodecagonal, inaugurado a 11 de julho de 1875. Em 1908, após a edificação do moderno edifício termal (“Banhos Novos”), por iniciativa do taipense José Antunes Machado, concessionário das nascentes termais, estes dois edifícios adjacentes seriam então denominados de “Banhos Velhos”.

A crescente importância da exploração das águas termais pela Câmara de Guimarães está patente pelo facto de terem sido expostas na Exposição Industrial de Guimarães em 1884. As águas termais das Caldas das Taipas foram exibidas juntamente com as águas minerais da Companhia dos Banhos de Vizela, na 2.ª sala do 1.º andar do Palácio de Vila Flor. Esta importante Exposição Industrial longamente noticiada na imprensa local, regional e nacional da época, foi inaugurada a 15 de junho, ocupando as dependências do Palácio de Vila Flor, cedido pelo efeito pelo seu proprietário António Maria Soares Veloso. Esta Exposição, inaugurada dois meses após a viagem inaugural do comboio que ligou Guimarães à rede ferroviária portuguesa, fecharia as portas ao público a 26 de julho. No Relatório desta Exposição podemos constatar que no ano anterior (1883), a autarquia vimaranense obteve uma receita de 1493$560 réis proveniente de 25830 banhos dos dois balneários das Caldas das Taipas (Relatório da Exposição Industrial de Guimarães de 1884, Porto, Tip. de António José da Silva Teixeira, 1884, p. 74).

Com a participação ativa das águas minerais das Taipas, na Exposição Industrial de Guimarães de 1884, a autarquia proporcionava uma maior visibilidade e competitividade da indústria termal desta povoação no panorama regional e nacional.

Historiador

A sátira e maldizer do último “Testamento do Arturinho”
Terça-feira, Março 15, 2011

A actual crise que assola o país, as relações políticas locais entre a Junta de Freguesia de Caldelas e a Câmara Municipal de Guimarães e alguns acontecimentos verificados na vila das Taipas, foram os temas centrais das 42 quadras que fizeram parte do testamento deste ano.

Ficam a seguir algumas delas.

(…)
Cortaram-lhe [ao Arturinho] o subsídio,
Da Inserção Social,
Recorreu ao suicídio
Foi morrer ao Hospital.

Vejam lá até na morte,
Com medidas sugadoras,
Foi pró prego o transporte
Mais as taxas moderadoras.

Até aos pobres doentes,
Cortam tudo à falsa fé.
Só falta aos pacientes
Ir p’ra cova p’lo seu pé.

“Arturinho” foste ao fundo,
Como qualquer Português,
Preferes o fim do Mundo
C’os trinta dias do mês.

(…)

Mas que cena mais macabra,
É vermos quem mais se queixa,
Por mais que o “Tino”se abra,
O Magalhães só se fecha.

Nas Taipas, por este andar,
Num passeio q’ apeteça,
Há o risco de levar,
C’ uma árvore na cabeça.

Não haja esquecimento…
Avisam os ansiosos,
Sem dinheiro pró cimento,
Quem fará o lar d’ idosos?

(…)

Mal da Junta se recorre,
À Câmara estende a mão,
Fica à espera e ainda morre,
Tesa e seca como um cão.

Reúnem na freguesia,
Cada grupo com seus pares,
Sai o Armando q’azia,
Ou foge o Luís Soares.

(…)

Terminemos com a treta,
Da maneira mais formal,
Vamos pô-lo na “carreta”,
Que já cheira muito mal.

Vais arder lá no Inferno,
E para bem da Nação,
Leva grátis o Governo,
Mais os da oposição.

As árvores não morrem de pé (II)
Terça-feira, Novembro 1, 2005

Depois de há uns meses atrás termos noticiado o abate de um número significativo de árvores na Rua Padre Silva Gonçalves, voltamos ao assunto para lhe dar conta de novos derrubes. Desta feita, na zona dos Banhos Velhos e Pensão Vilas. Possivelmente, por motivos que se prendem com o mau estado das mesmas, foram abatidas em número significativo árvores de grande porte. Algumas delas, como é o caso da que se encontrava no parque público da Pensão Vilas, com perto de 50 anos.

As última notas de Michael Park
Quarta-feira, Setembro 28, 2005

Aos 39 anos, “Beef” como era conhecido pelos amigos, navegou pela última vez na sua “backet” a bordo do Peugeot 307 wrc da equipa francesa. Um desfecho inglório para quem vivia intensamente este desporto e que ficará na memória dos aficionados dos rallyes como um ser humano amigo, muito acessível e simples.
Estávamos na 15ª Pec do rallye de Gales quando Markko Martin (piloto) perdeu o controlo do 307 indo embater violentamente com a parte lateral (do navegador) numa árvore. Michael Park teve, em consequência de lesões muito graves, morte imediata.
O Jornal Reflexo teve a oportunidade de com ele trocar umas palavras amigas em 2003 aquando da vinda da Ford a Portugal altura em que acompanhamos os 5 dias de treinos da marca anglo-americana em terras lusitanas. Sempre muito bem humorado, com inteira disponibilidade para os jornalistas e fãs de um modo geral evidenciava o lado bom e humano dos rallyes.
A sua ligação com Markko Martin começara em 2000 aquando da passagem pela Subaru. Foi uma experiência da qual guardavam recordações, no entanto o ponto alto da carreira desta dupla teve lugar na Ford onde foram tidos como chefes de fila da equipa. Porém no palmarés de “Beef” podemos ainda incluir os serviços prestados a outros dois campeões do Mundo, em concreto Colin Mcrae e Richard Burns de quem foi batedor.
Este acidente fatal, – lembramos que o último registo de morte de uma navegador remonta há 12 anos atrás (o de Possum Bourne ) – reacendeu a questão da segurança dos carros, mas como diz Nicky Grist (navegador de Colin Mcrae) a parte lateral é o “calcanhar de Aquiles” de um carro de rallyes, é uma questão de sorte no embate e duvido que se consiga diminuir os riscos que daí possam advir.
Quanto ao rallye propriamente dito, Solberg acabou por vencer. A vitória deveu-se essencialmente à penalização propositada de Sebastien Loeb que, mediante a decisão da Peugeot em retirar Gronholm da prova aquando do acidente de Martin/M.Park, entendeu não serem as circunstâncias próprias para se sagrar campeão do mundo, adiando assim por mais uma prova a consagração. A prova galesa ficaria ainda marcada pelo regresso à actividade – ainda que esporádica sem nunca querer perder de vista a possibilidade de voltar a tempo inteiro em 2006 – de Colin Mcrae acompanhado do seu fiel amigo de armas Nicky Grist.

David Silva

As árvores não morrem de pé
Terça-feira, Agosto 2, 2005

Foram recentemente “abatidas” cerca de uma dezena de árvores na Rua Padre Silva Gonçalves (lado esquerdo no sentido ascendente). Segundo Remísio Castro, presidente da Junta de Caldelas, tal acção terá sido levada a cabo por dois motivos fundamentais: “o estado lastimável que se encontram os passeios, provocado pelas raí-zes das referidas árvores e por outro lado, o facto da iluminação pública lá instalada (alta) não surtir qualquer efeito, uma vez que os ramos das árvores tapam a referida iluminação”. Quanto ao passeio, em Setembro próximo será reparado. Já o mesmo não acontecerá com as árvores. Como nos referiu o presidente da junta, “no local não serão replantadas novas árvores dado tratar-se de uma artéria da vila que, pelas suas dimensões, não suporta árvores dos dois lados. Correndo-se o risco de, ao fazê-lo, daqui a 5 anos sermos obrigados a voltar a cortá-las”.

mas@reflexodigital.com