PUB
Artigo publicado no Reflexo domina período da antes da ordem do dia na reunião de Câmara
Segunda-feira, Novembro 17, 2014

O artigo de opinião de Miguel Sousa dominou o debate político na última reunião do executivo vimaranense. Ricardo Araújo, do PSD, contestou o conteúdo do mesmo e Domingos Bragança referiu a “indelicadeza” desta intervenção, por Miguel Sousa não se poder defender.

Ricardo Araújo fez questão de dizer que se estava a referir somente ao conteúdo do artigo e que esse mesmo texto “atacava as instituições e os políticos da oposição de uma forma, que não é de todo, a mais correta”. 

O presidente da Câmara frisou que nunca iria limitar a liberdade de expressão de quem quer que seja e que, apesar do autor do texto não se poder defender, permitiria que Ricardo Araújo continuasse a sua intervenção. 

O vereador social-democrata criticou a “forma e o estilo” do texto de opinião em causa. Referiu que gosta muito do humor, sobretudo o político, “desde que, com elevação e inteligência. Quando o humor resvala para a tentativa de gozo político às pessoas, às instituições partidárias, aí merece o nosso forte repúdio”. 

Domingos Bragança, em resposta, voltou a insistir na “indelicadeza” da intervenção de Ricardo Araújo e estabeleceu um paralelo com as declarações de André Coelho Lima quando este se referiu ao presidente da comissão política do PS, Armindo Costa e Silva, quando pôs em causa a sua responsabilidade à frente da direção da Vimágua.

Para Ricardo Araújo, o PSD sentia a necessidade de repor a verdade em três aspetos abordados no texto de opinião de Miguel Sousa. 
O primeiro prendia-se com a via dedicada ao Avepark. Ricardo Araújo afirmou que o PSD tem vindo a defender uma discussão do traçado pelos órgãos autárquicos e pela sociedade civil vimaranense: “Quando se tenta dizer que aquilo que o governo aprovou é diferente do que o PSD anda a defender, está errado e é preciso ser reposta a verdade”.  

O segundo aspeto prende-se com a visita, a Guimarães, do ministro Poiares Maduro, quando este se referiu aos doze Espaços do Cidadão que virão a ser criados no concelho de Guimarães: “É verdade que o referiu mas não é verdade que o tenha anunciado pela primeira vez, porque a sessão pública em que se conheceu esse facto foi em 5 de agosto”, acrescentando ainda que “mal seria que o senhor ministro não pudesse vir a Guimarães, numa sessão partidária, falar do que o governo tem feito em favor de Guimarães”.

Terceiro ponto “onde é necessário repor a verdade”, de acordo com o vereador da coligação Juntos por Guimarães, tem a ver com a instalação do Instituto das Nações Unidas em Guimarães. Para Ricardo Araújo, o texto já referido tenta “diminuir, ofuscar ou retirar qualquer intervenção da coligação Juntos por Guimarães sobre essa matéria”, acrescentando que a “primeira intervenção pública que se conhece de um político em Guimarães sobre o assunto foi em 2010, por André Coelho Lima”. Sem se deter, concluiu que a coligação “não está a dizer que é responsável por isso, mas não custa nada haver bom senso do PS e reconhecer o trabalho de diversas entidades e pessoas para que fosse possível essa instalação”. 

Já no final da reunião do executivo vimaranense de 13 de novembro, Ricardo Araújo em declarações à comunicação social, voltou a justificar a sua intervenção com a intenção de se “repor a verdade de alguns factos e de criticar a forma e o método que algumas pessoas, que exercem cargos públicos, utilizam para o combate político-partidário. Existem limites que têm que ser preservados, na política deve haver espaço para o combate duro, firme, mas sempre com a manutenção do respeito e da elevação. No debate político uns pretendem valorizar o seu trabalho e diminuir o trabalho do adversário, mas isso tem limites. As pessoas, quando ocupam cargos públicos políticos de responsabilidade, como o autor do artigo que eu citei, têm que ter em conta que quando emitem opinião pública, essa opinião pública ou publicada, não é separada do cargo que exerce”. 

Domingos Bragança, no final da reunião, voltou a ser categórico ao afirmar que, enquanto presidente da Câmara de Guimarães, nunca cortará “a palavra ou direito de expressão de um cidadão, mesmo que este tenha um estatuto na própria Câmara Municipal”, criticando o vereador social-democrata por ter acusado uma pessoa num local onde esta não se podia defender.

 

Artigos Relacionados