A resistência à mudança
Quarta-feira, Junho 12, 2013

Se me atrevo a defender Taipas a concelho, levo com uma saraivada de arremessos de inconsciente ou outra denominação de origem que nem me levanto mais; se me atrevo a dizer que devem ser extintos municípios, idem aspas, aspas; se me atrevo a dizer que as freguesias devem ser extintas, o tratamento reacionário não será muito diferente. Para dizer que ninguém aceita mudanças; ninguém quer perder poder, por mais insignificante que seja, ninguém quer, sequer, pensar nisso.

Estamos bem assim e nada e, rigorosamente nada, deve ser mudado.

Devemos ganhar mais. Devemos ter mais férias, mais feriados, mais “pontes”, mais subsídios de férias, mais segurança social, mais reformas, mais transportes, mais saúde, mais emprego, mais ensino, mais segurança, melhor ensino, melhor saúde, mais desporto, melhor transportes, melhor justiça, melhor segurança, mais e melhor tudo que exista…melhor casamento, melhor filhos, melhor família, melhor governos.

Deve ser mudado tudo para mais e melhor.

Contra o desemprego; contra a precariedade; contra os baixos salários; contra a perda de direitos; contra a exploração; contra os exploradores.

Sou a favor de tudo o que é bom.

Estou de acordo com todas as reivindicações que se peçam até com as dos direitos adquiridos.

Há a economia. Há a produção de bens. Há a distribuição de bens. Há o PIB. Há a riqueza produzida no país e fora dele. Há o dinheiro. Há os donos do dinheiro. Há o FMI. Há o BCE e a comissão Europeia. Há o défice de hoje, de ontem e de há trinta anos.

Há a realidade. Essa que não muda se não mudarmos. Essa que se impõe sempre, mesmo que façamos mil greves, mil protestos, mil gritos.

É. A realidade da falta de dinheiro resiste a tudo: a sistemas económicos, a regimes, a sistemas políticos e a todas as politicas de direita, esquerda, centro, alto, baixo e o mais que inventem.

Essa é realidade que teremos de viver se não mudarmos ou tivermos a pretensão de mantermos tudo como até aqui.