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A qualidade dos homens
Quinta-feira, Abril 7, 2011

A qualidade dos autores depende da qualidade das suas obras. Para aferir da qualidade da obra têm de entrar em linha de conta todas as circunstâncias do momento da sua realização.

Na política, os homens definem-se pelas suas opções e pelas suas decisões do seu tempo; e serão elas o espelho (reflexo) do seu autor.

No que diz respeito à Capital Europeia da Cultura, já sabemos o que vai ser: perdoem a expressão galicista: o “déja vu”. Nada de novo verdadeiramente importante. O mais importante está feito: a fixação da remuneração do conselho de administração por parte do PC cá do sitio num momento em que ainda não estava constituída a comissão de remunerações. A decisão é do PC e só ele deverá responder por ela. Reconhecer o erro, que também é ético, pois ofende o princípio da construção de uma sociedade tendencialmente justa e igual, principio esse muito querido pelos socialistas mais encarnados e pelos comunistas, faz parte da nobreza de um homem. Não é o caso.

Agora, o insólito aconteceu. Dentro da execução do programa do mapa 2012 – não sei bem como enquadrar isso nesse mapa tal como foi divulgado – veio a mui original iniciativa (dizem que copiada do estrangeiro) de protocolar com as freguesias a aquisição de cabras para limpar espaços públicos. Nove cabras por freguesia e um conjunto de obrigações associadas para as freguesias protocolantes. (burocracia socialista de querer controlar tudo o que mexe).

Há ideias que refutamos imediatamente; mas depois de bem explicados e compreendidos os objectivos a atingir acabam por aceitar-se.

Esta ideia e a sua concretização não tem essa virtualidade. Desde logo porque os espaços públicos do concelho são as estradas, as bermas, os jardins públicos, parques, as rotundas, os canteiros. Para ter um rebanho de 9 animais em espaço público tem que haver quem os vigie – não vão eles “estacionar” no meio de estradas e caminhos públicos – um pastor, que não fica barato. É necessário contratar um seguro de responsabilidade civil; é necessário consultas no veterinário – atente-se que as cabras irão estar no espaço público. Depois, é necessário estabulá-los. Haverá freguesias com estábulos para o efeito? Os estábulos têm manutenção e limpeza: é necessário assegurar esta despesa. E muito mais se poderia dizer para fundamentar a “tontice” da iniciativa que está condenada a fracassar. E nem o argumento cultural entendido como o renascer de uma prática antiga poderia ter aqui algum fundamento: é que, por aquilo que conheço, no concelho não existe tradição de criação de rebanhos de cabras.

Mais uma vez o PC cá do burgo reagiu em termos “grosseiros” às ideias que põem em causa a viabilidade do admirável projecto das cabras. Quero dizer com “grosseiro” todas as expressões que refutem e tenham implícito a censura do direito de dizer livremente sem constrangimentos de espécie alguma.

A propósito de protocolos, ao contrário de outras câmaras fronteiriças, a Câmara de Guimarães não faz protocolos gerais e anuais com as freguesias: isto é, no inicio de cada ano, e com todas as freguesias do concelho, existem câmaras vizinhas que, na execução de um planeamento atempado, celebram os protocolos para aquele ano e atribuem, com inscrição orçamental, antecipadamente, as verbas a atribuir a cada freguesia.

A Câmara de Guimarães faz protocolos com as freguesias caso a caso e se assim entender oportuno. Esta forma de proceder tem objectivos bem determinados: beneficiar as juntas de freguesia que tenham sido eleitas pelo mesmo partido; de uma forma cirúrgica e determinada. Ora, esta é uma opção que qualificará os homens e a sua qualidade. Nunca ninguém ficou na história por discriminar negativamente; só pelos maus motivos. E este é um mau motivo que as Taipas, creio, não esquecerá.

Legenda: (PC – presidente da câmara)