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A prática desportiva como exemplo mobilizador
Quarta-feira, Março 12, 2014

O exemplo, como forma de reproduzir seres sociais, sempre assumiu um lugar predominante na orientação e até determinação dos comportamentos sociais do homem.

O exemplo não é uma atitude traduzida em comportamentos esporádicos e espontâneos. O exemplo para ser constitutivo de relações sociais tem revelar permanência e consistência.

Neste deambular pelo EXEMPLO vem-me à presença as grandes organizações de maratonas que acontecem pelo mundo inteiro. Há cerca de 15 anos, na Europa e nos Estados Unidos, já existia a organização de maratonas que mobilizavam dezenas de milhar de pessoas. A Portugal, onde as modas boas e más só chegam cá passados uns anos, é assim desde o Séc. XVIII, a moda da adesão à participação em semelhantes organizações está a pegar. Está a pegar porque, numa visão simplista, foi o exemplo dos outros que nos arrastou para tais eventos, organizações e participações.

No desporto, na prática, na promoção, na sua existência tem que haver exemplo.

As crianças são iniciadas no desporto na escola, algumas desenvolvem a sua prática em clubes e quando chegam a adultas, pura e simplesmente, abandonam a sua prática. Depois, a prática do desporto é uma miragem que se satisfaz e se dilui em discussões clubísticas extremadas até se converter em obesidade, colesterol, diabetes, tensão arterial.

O Exemplo tem de ser dado pelos mais velhos que têm de praticar desporto enquanto causa e consequência de uma vida saudável; enquanto actividade de encontro e de relações sociais e enquanto actividade de valorização dos valores de solidariedade e entre ajuda.

Sei que nos países que nos são referência, a Europa mais a Norte, a existência de equipas de veteranos, em todas as modalidades, é uma realidade muita participada.

Na nossa vila, e à escala nacional, é necessário que o paradigma mude.

Os clubes, são entidades que existem para por e manter os seus associados a praticar desporto; e não para os ter a fumar e a beber na bancada a ver os mais novos a praticar.

É necessário que os pais acompanhem os filhos na prática do desporto e não sejam meros transportadores. Se o pai do filho pratica desporto até avançada idade é mais provável que o filho lhe siga o exemplo.

Os clubes não estão preparados para esta emergência, mas têm de encará-la como uma forma de eles próprios continuarem a existir e darem sentido à sua existência.

O associado praticante é uma necessidade das associações desportivas que tem de ser incentivado e acolhido.

O tempo do associado espectador está acabar por muito que os velhos dirigentes resistam a adaptar-se a esta realidade.

No desporto, como em quase tudo na vida, devemos assumir a qualidade de actores e não de espectadores.

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