A ponte “Pé de Cavalo”
Segunda-feira, Março 6, 2006

A ponte localiza-se na Rua do Fio e apresenta poucas condições de transponibilidade.

Neste país a que chamamos Portugal, o passar nos anos não significa o evoluir dos conceitos, metas, rumos e objectivos. Num país onde as necessidades de mudança e de progresso são, mais do que nunca, fundamentais, o que mais vemos é actos de pré-história, actos e situações que apenas atestam a nossa fragilidade enquanto povo e enquanto nação.

O Portugal que existiu há cinquenta anos é, sensivelmente, o mesmo Portugal de hoje, duas diferenças, apenas, se fazem notar: primeiro, vivemos num regime de pseudo – liberdade, segundo temos a firme convicção de que nada podemos fazer para alterar o rumo dos acontecimentos. Quanto à primeira situação, o tempo será a resposta para as nossas inquietações, no entanto, no que respeita à segunda, a grande vantagem das gerações de 30, 40 e 50 em relação a nós é que eles ousaram sonhar, ousaram pensar, ousaram acreditar. Pese embora a herança que nos deixaram não seja a melhor, ousaram lutar por ideias, ousaram bater-se por ideais.

É exactamente essa vontade de lutar que hoje não faz parte do formulário de valores presentes nas mentes dos portugueses, é essa ausência de fome de progresso que nos faz viver neste arrepiante clima de aceitação e conformismo. Vejamos um exemplo extraordinariamente exemplificativo desta mentalidade que ocorre, há dezenas de anos, na freguesia de S. Cláudio de Barco.

Numa das pontas da freguesia, nomeadamente aquela onde se faz a fronteira entre Barco e Sto Estêvão, há uma ponte em míseras, repito, míseras condições pela qual passam diariamente, dezenas de camiões de transporte de animais vivos, camiões, os quais, acarretam pesos enormíssimos. A referida ponte localiza-se na Rua do Fio, sendo conhecida, nas redondezas pela ponte «Pé de Cavalo». Para termos uma ideia do problema, a ponte está construída em pedra, não tem quaisquer barras laterais e, melhor ainda, tem cerca de 3,20 metros de largura. Ora, isto é extraordinariamente perigoso, quer para os veículos que circulam pela ponte quer para a população em geral, visto que esta ponte não tem quaisquer condições de transponibilidade.

É certo que uma das principais promessas da Junta para a sua actividade, aliás, consagrada no Programa Eleitoral da própria lista eleita é a reconstrução desta ponte, deduzindo-se, repito, deduzindo-se, consequentemente que o problema está diagnosticado e em vias de ser resolvido, no entanto, a História, como mestra, ensinou-nos que nos últimos anos, em Portugal, os prazos de iniciação e conclusão das obras públicas estão sempre sujeitos a interesses de um outro nível, interesses que nada têm a ver ou tocam os interesses das populações. A população de Barco espera que isso não se venha a verificar nesta obra indispensável ao progresso e desenvolvimento da freguesia, visto que seria extraordinariamente negativo ao nível da própria segurança das populações locais.

Texto: Daniel Monteiro Silva

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