A natureza das coisas
Segunda-feira, Janeiro 2, 2006

Não conheço as propostas da Junta para o mandato 2005/2009, mas admito, por ser o mais coerente, que espelhem o programa eleitoral do PSD, ou, melhor dizendo, as ideias do arquitecto Veiga apresentadas em nome do PSD.

Se assim for, podemos antecipar que o plano de actividades e o plano de investimento plurianual acolhem e dão relevo a projectos fora da esfera das atribuições do órgão autárquico Junta de Freguesia, dão guarida a obras para cuja realização a freguesia não goza de poderes, não dispõe do dinheiro necessário nem tem forma de obter através do crédito.

Se, inversamente, assim não for, isto é, se o plano de actividades e o plano de investimento plurianual não acompanharem as promessas eleitorais, então estaremos diante de uma confissão de incapacidade e de uma fraude, na medida em que salta à vista a demagogia de quem prometeu mundos e fundos quando não tinha mundos e muito menos tinha ou tem fundos.

Uma Junta goza de poucos recursos financeiros. A somar ao que recebe do orçamento do estado, tem o que a câmara atribui, por vontade que não por imperativo legal. É com base nestes dados, mais as obras delegadas pela Câmara, mais a receita própria, que se pode esboçar qualquer orçamento realista, repartindo percentualmente, consoante o grau de importância, as verbas por rubrica, ou se preferirem por obra ou despesa corrente.
Tudo o que extravase estes limites é fantasia só realizável desde que para tanto concorram boas vontades e dinheiro de terceiros, sejam eles a Câmara ou o Governo.

O programa eleitoral do PSD/Taipas está recheado de ilusões. Para que o sonho se transformasse em realidade os seus executores tinham de garantir apoios e cumplicidades. Da Câmara, mas não só.
O que disseram antes, durante e depois da campanha é o que não podia nem devia ser feito ou dito por quem está numa posição subalterna, por quem está dependente e não é independente.

O PSD, de um modo geral, e o arquitecto Constantino Veiga em particular, complicaram, por palavras ditas e publicadas, as relações institucionais entre a Junta de Freguesia e a sede do concelho, exigindo quando deviam sugerir, afrontando quem convinha não ser enxovalhado. Quanto a nós, pior era impossível.

Volto ao princípio. No momento em que escrevo desconheço as propostas da Junta e por isso não estou em condições de me pronunciar sobre a sua viabilidade. Porém, face ao anteriormente exposto, não custa adivinhar que o PSD não vai cumprir. E não vai cumprir porque prometeu demais e não soube ser superior à raiva dos seus candidatos. Vai armar-se em vítima, mas de vítima tem muito pouco.