Amamentar – um ato de protecção e amor
Segunda-feira, Julho 9, 2012

O leite materno é o melhor alimento que os recém-nascidos e as crianças pequenas podem receber. Por isso, recomenda-se que os bebés devam ser alimentados exclusivamente com leite materno até aos 6 meses de idade. A partir desta idade as crianças devem iniciar outros alimentos (sopas, papas, etc.), mas devem continuar a ser amamentadas, pelo menos, e se possível, até completarem os 2 anos de idade.

No entanto, em Portugal, apenas 50% das mães mantém o aleitamento materno até ao 3º mês de vida do bebé, e muitas menos até ao 6º mês. Esta desistência tão precoce da amamentação ocorre tanto por escolha da mãe como pelo aparecimento de dificuldades que esta não consegue ultrapassar.

Várias razões levam as mães a optarem por não amamentar. Algumas destas razões são a crença de que o leite artificial (leite adaptado ou leite de fórmula) é igual ao leite materno, a não compreensão dos benefícios do leite materno e o mito de que alimentar com leite artificial é mais fácil e menos demorado do que amamentar.

Ao contrário do que muitas mães pensam, o leite materno é muito diferente do leite artificial. É um alimento vivo e natural, que contém todos os nutrientes que o bebé necessita para ser saudável e se desenvolver.

As vantagens do aleitamento materno são múltiplas, quer para o bebé, quer para a mãe, aumentam consoante o aleitamento se prolonga e fazem-se notar mesmo depois do aleitamento ser suspenso.

Dos benefícios para o bebé podemos destacar:
– O desenvolvimento mental e físico do bebé é melhorado e cria-se uma ligação emocional muito forte entre a mãe e o bebé, que ajuda também no seu desenvolvimento emocional.
– Os componentes presentes no leite ajudam no desenvolvimento e funcionamento do sistema digestivo. Além disso as proteínas e as gorduras do leite materno são digeridas mais facilmente e melhor aproveitados pelo corpo do bebé do que aquelas do leite artificial. O ato de mamar ao peito melhora ainda a formação da boca e o alinhamento dos dentes.
– O leite materno tem também elementos que ajudam o sistema de defesa do bebé a lutar contra uma grande variedade de doenças e infeções, diminuindo a frequência e a gravidade das doenças infeciosas.
– Como o sabor do leite varia de dia para dia consoante os alimentos que a mãe ingere, a adaptação a outros alimentos no futuro torna-se mais fácil.
– Os bebés que são alimentados com o leite materno têm também um menor risco de síndrome de morte súbita e de, no futuro, desenvolver doenças alérgicas, obesidade, diabetes e alguns tipos de cancro.

O aleitamento materno também beneficia a mãe de várias maneiras:
– A ligação especial que se cria entre a mãe e o bebé aumenta a satisfação emocional da mãe e diminui a sua ansiedade.
– Amamentar estimula a contração uterina, o que ajuda o útero a regressar ao tamanho normal mais rapidamente e diminui a hemorragia após o parto. E como ao amamentar o gasto de calorias é maior, auxilia na perda de peso ganho durante a gravidez.
– Também diminui o risco de a mãe vir a desenvolver algumas doenças como diabetes, osteoporose e cancro da mama e do ovário.
– Além disso, amamentar é um método seguro, conveniente e prático porque a mãe tem o alimento sempre disponível e sempre à temperatura correta, sem a necessidade de preparar biberões.

O leite materno é, portanto, o melhor alimento e o mais barato.

Mas, por vezes, podem também existir dificuldades em dar de mamar. Amamentar é algo que se aprende, nem o bebé nem a mãe nascem ensinados. Apesar de algumas mães amamentarem com facilidade, outras vão-se deparar com obstáculos variados (o bebé não pega, dúvidas em relação à quantidade de leite, aparecimento de lesões da mama, o regresso ao trabalho, …). Mas estes podem ser ultrapassados se pedirem apoio, tanto aos entes mais próximos, que são essenciais nesta fase da vida da mãe, como ao Médico de Família, que ajudará a lidar com as dúvidas e a superar as dificuldades.