A maioria da submissão
Sexta-feira, Outubro 11, 2002

Quando escrevo este artigo é ainda no rescaldo da última assembleia, de 27 de Setembro, na qual entre outras coisas se deliberou a doação do terreno pertencente à Freguesia de Caldelas, à Câmara Municipal de Guimarães.
Embora expressasse a minha posição sobre o assunto em causa em sede própria, Assembleia de Freguesia, não posso deixar de escrever algo sobre este tema.
Em primeiro plano, quero separar o que é a obra social, muito nobre, realizada pela colectividade, Centro Social Padre Manuel Joaquim de Sousa, que conheço há muitos anos, não só porque a frequentei no pré-primário, como ao longo dos anos, por afinidade e amizade que tenho com algumas pessoas responsáveis pela mesma, faz-me curvar em sinal de respeito por toda a sua actividade, que, sem dúvida, dignifica a nossa Vila.
Mas, meus amigos, o que estava em discussão na proposta que a Junta de Freguesia apresentou na Assembleia de Freguesia não era, sem dúvida alguma, a acção do Centro Social, era sim, a posição de subserviência que esta sempre executou e continua a executar pelo actual Presidente da Junta em relação à Câmara Municipal de Guimarães.
E vamos aos factos. O facto é que o terreno no qual está a ser edificado o Centro Social pertence à Junta de Freguesia de Caldelas e esta apresentou uma proposta para doar à Câmara Municipal de Guimarães esse mesmo terreno. Em contrapartida, a Câmara Municipal de Guimarães fez a cedência por oitenta anos do direito de superfície à Junta de Freguesia, que, por sua vez, o transmite ao Centro Social Padre Manuel Joaquim de Sousa.
A verdade é que há uma nítida alienação de património da Freguesia, meus caros leitores, porque será que a Câmara Municipal de Guimarães não confia na Junta de Freguesia, e só faz obras em terrenos que lhe pertence?
Alguns dizem que a Câmara usa este argumento em todas as obras que edifica: não colhe. E vamos a um exemplo: a Câmara de Guimarães está a gastar cerca de quatro milhões de contos, reparem bem, quatro milhões de contos, no estádio D. Afonso Henriques, beneficiando, enriquecendo e valorizando o património de uma instituição particular, e ao gastar cerca de cem mil contos na Vila mais importante do Concelho, usa a chantagem de que só faz a obra se lhe derem o terreno.
São estas atitudes que eu não posso aceitar. A atitude de subserviência de alguns autarcas da nossa Vila, alguns com argumentos que não colhem e outros com um silêncio que eu estranho, mas que considero comprometedor. A atitude autoritária da Câmara que, e perdoem-me a expressão, “só nos dá o chouriço se lhe dermos o porco”, é inaceitável. Eu recordo no passado, e justiça tem que lhes ser feita, os autarcas Taipenses sempre zelaram e tentaram enriquecer o nosso património.
E foi através da compra, embora simbólica, que a Junta de Freguesia de Caldelas fez à Câmara Municipal, do edifício da actual Caixa Geral de Depósitos, que permitiu a permuta do terreno que agora está em discussão. No passado, a política era diferente, porque da parte da Câmara não havia a “desconfiança” que actualmente existe em relação à Junta de Freguesia. Agora, desde a escola do Pinheiral até ao terreno onde irá estar o Centro Social, tudo nos tiraram, com a conivência de alguns.
Sem mais até ao próximo número.
E viva as Taipas!
Armando Marques