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Ainda as contas da Junta
Sexta-feira, Junho 12, 2015

Não, não é do relatório e contas chumbado que quero agora falar. Foi reprovado pela CDU com razões objectivas compreensíveis e o que se espera é que de futuro tal não volte a ser necessário para que o bom senso impere.

Sim, porque se legalmente não houve consequências, o mesmo não se poderá dizer no plano político, onde, no mínimo, ficou à vista a incompreensível falta de capacidade da Junta, incapaz de retirar o que se percebeu seria chumbado a partir do momento em que a CDU, pela voz de Gildásio Maiato, declarou o sentido do voto a que o PS prontamente se seguiu.

Mas, como eu acima digo, não é das contas que hoje quero falar.

É das dificuldades de tesouraria que a Junta estará a passar.

A feira é, depois das transferências do estado e da câmara, a grande fonte de financiamento.

Ora, com a persistência da crise financeira originada pela banca e pelos especuladores financeiros, com drástica redução do poder de compra das populações, sobretudo daquelas que frequentam as feiras deste país, as feiras estão em declínio, já não são o que eram. Cada vez há menos procura e havendo menos procura avolumam-se os problemas dos feirantes. Uns, atrasam-se na liquidação das taxas, outros desaparecem deixando o terrado com cada vez mais espaços vazios, rapidamente ocupados pelos vizinhos.

Foi com a receita da feira que a Junta se abalançou no famigerado negócio da compra do edifício da antiga Pensão Vilas, com a intenção legítima de o transformar num centro para idosos da freguesia. É do conhecimento público que a aquisição implica o pagamento de uma renda mensal de 3.000,00€, que continua a ser paga. Havendo este compromisso para honrar, e estando a ser honrado, e com cada dia menos dinheiro a entrar nos cofres, a Junta estará a passar um mau bocado.

Num negócio que tem mais de interesse partidário do que de interesse para a freguesia, as obras de adaptação estão suspensas desde o início do verão passado. Primeiro, disse-se que por causa de um aditamento que a câmara resistia a aprovar e, ao que dizem, a segurança social também.

Depois estavam paradas porque a empresa construtora entrara de férias.

Muitos meses depois as obras continuam paradas, agora, diz-se, por falta de dinheiro, por atrasos no pagamento ao empreiteiro.

Seja como for, seja qual for a causa, o certo é que o tempo passa e a Pensão Vilas é um barco perdido no meio da vila. Não vale a pena deitar as culpas a Guimarães, antes de as procurarem entre quem governa as Taipas sozinho.