A incompetência à vista
Terça-feira, Fevereiro 5, 2013

O tempo chuvoso e quase tempestuoso que nos tem acoimado tem enchido o Rio Ave de água, areia, e de toda uma panóplia de objectos que se transforma em porcaria e cujo destino se perde na viagem do rio até à foz.

As Taipas têm um obstáculo que provoca a retenção temporária de lixo na zona limítrofe da freguesia: a ponte “românica” sobre o Rio Ave. Esta ponte (pequena) é a referência que informa, só no olhar, o nível da água do Rio. E pela retenção efectuada podemos ver a porcaria que vem cá encalhar.

Diz a sabedoria popular que “quem não chora não mama” para querer dizer que quem não pede não pode ser atendido. Somos um país de pedinchas conformados; de pedidos graciosos, de pedidos de deferimento que termina num muito obrigado. Somente foi suprimido o “bem da nação”.

O “a bem da nação” deve ser recuperado sempre que é necessário reclamar, protestar, indignar-se. E é necessário sempre.

E se o que se faz bem prevalece por si, o que se faz mal deve ser censurado, condenado, para que não se repita.

Numa atitude de autismo e de perseguição politica que já não se usa e que todo o concelho bem conhece e repudia – muitos presidentes de junta de freguesias eleitos pelas listas do PS -, a junta de freguesia das Taipas foi afastada de todo o processo de reconstrução e requalificação da Escola do Pinheiral. Nem lhe foi dado a conhecer o processo nem a possibilidade de acompanhamento das obras. O que se soube foi pelos jornais e nada mais. Este facto é de gravidade inconcebivel na justa medida em que a autarquia local, freguesia, tem competências e responsabilidades próprias na gestão ordinária das EB (1) e neste caso na Escola do Pinheiral.

O afastamento de uma entidade que tem uma relação de proximidade com o dia a dia da escola; que a conhece profundamente, que sabe dos seus problemas e lacunas e que esteve sempre na primeira linha da frente no sentido de ultrapassagem de problemas, alguns criados pelo município – versus atraso nas obras – não daria nada de bom.

Agora que entrou em funcionamento, com transferência da pré do Assento, vieram ao de cima todos os defeitos de planeamento, dimensionamento, de construção e de funcionalização da escola.

Reprova em qualquer dos parâmetros apontados.

Assim, está num local onde nunca deveria estar; não tem espaço para albergar, no futuro, os alunos da Charneca, logo perde a sua vertente de “Centro Escolar” como pomposamente a apelidam; tem defeitos de construção elementares cuja enumeração me dispenso pois o exíguo espaço desta crónica não o permite; o espaço está mal distribuído ao ponto de não permitir o descanso das crianças de mais tenra idade e de o refeitório ser demasiado pequeno para as solicitações normais. Para obra nova, pior era impossível.

A Câmara fez asneira, asneira da grossa, e tarda em resolver os problemas.

Para eles, a Junta de Freguesia das Taipas é a ponte nova (da E.N. 101) para a qual, mesmo com cheias, a porcaria passa por debaixo da ponte.

Felizmente as Taipas tem a outra ponte, a pequena, a mais antiga, a que filtra a porcaria, o que significa que a porcaria não passa despercebida.

A Câmara demonstrou incompetência e, por coincidência, a mosca (a incompetência) foi logo cair nas obras feitas nas Taipas.

É duro ouvir as verdades!

Também é duro ser discriminado injustamente e contra a lei; principalmente em detrimento do interesse público.