A hipocrisia do PSD
Terça-feira, Julho 9, 2013

Através dos mais diversos meios e formas tenho solicitado que me facultem cópia do contrato de aquisição da Pensão Vilas por parte da Junta de Freguesia de Caldelas. Não recebi nada, mas ainda não perdi a esperança de um dia receber. Ou então, de ver a máscara cair.

O contrato vai ajudar-me a compreender os meandros do negócio, as condições impostas pelo vendedor e aceites pelo comprador, como, quando, em que caso o imóvel que custa três mil euros por mês aos taipenses passa a propriedade da freguesia, habilitando esta a usar, gozar e dispor dele.

Como tem sido amplamente divulgado pela Junta, nomeadamente pelo seu presidente, o imóvel adquirido destina-se à construção de um Lar para Idosos, embora em recente entrevista a um jornal de Braga, Constantino Veiga misture Lar para Idosos com Centro de Dia, o que não é a mesma coisa.

E não é a mesma coisa porque as finalidades são diferentes. Enquanto o Lar para Idosos tem implícita a ideia de uma casa onde os utilizadores residem em regime de permanência, implicando, por via disso, investimentos específicos em maquinaria e recursos humanos habilitados, competentes, certificados para a prática de actos médicos ou afins, já o centro de dia é muito menos exigente nesses mesmos vectores.

Por consequência do exposto, o investimento de um lar para idosos é muitas vezes superior ao investimento de um centro de dia, daqui resultando também custos de funcionamento completamente distintos, muito maiores no primeiro caso do que no segundo.

E aqui cabe uma curiosidade: qual o custo estimado de cada um dos 20 quartos anunciados? Qual o montante da eventual comparticipação da segurança social e qual a parte que tem de ser assegurada pela Junta ou por quem ela arregimentar?

Desconhece-se a existência de estudos de mercado onde esteja quantificada com rigor e com competência a procura de um lar por parte de idosos ou das suas famílias e teme-se, fundadamente, que os sucessivos cortes nas reformas desaconselhem os idosos de dar um passo maior que os seus rendimentos que de fixos passaram a altamente variáveis pela acção das diabruras do ministro Gaspar, do PSD e acolitado pelo ministro Mota Soares, do CDS, um e outro determinados em sacar o máximo aos trabalhadores e aos reformados para tapar os buracos criados pelos bancos.

O PSD critica o PS por este não ter mandado preceder a execução das obras da capital europeia da cultura de estudos de solvabilidade, mas nas Taipas invertem-se os papeis e no caso da Pensão Vilas é o PSD que se “esqueceu” de fazer o que manda o PS fazer.

Também por isso o PSD não tem autoridade política ou moral para atirar calhaus.