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Afundanços no Futebol
Terça-feira, Setembro 6, 2005

Só para enumerar alguns casos, e bem recentes, vejam o que sucedeu com agremiações como o Leça, Campomaiorense, Salgueiros e até o Tirsense (este último já reabilitado). Tal como um prego atirado ao rio, afundaram-se sem hipóteses de agarrar uma bóia de salvação. Como é possível? Atenção que os casos apontados dizem respeito, apenas, a clubes que conquistaram por direito próprio um espaço no mais alto escalão do futebol português. Pois, se pretender esmiuçar ainda mais o buraco, será possível descortinar casos semelhantes em associações de uma dimensão bem menor e não muito longe daqui…
Sem querer alarmar os caros leitores, principalmente os associados e/ou simpatizantes do clube de Clube Caçadores das Taipas, vejam que ainda há dois anos este emblema fazia história na II Divisão Nacional e hoje segue pelos caminhos do futebol distrital. Mergulhou num poço, é verdade, mas (parece-me), conseguiu agarrar a tal bóia da salvação. Resta saber se as pessoas que estão imbuídas neste projecto terão forças para manter a instituição à tona da água!
Mas, afinal de contas, o que se passou com os clubes em cima referenciados para “afundarem” de tal forma? Sem conhecer a realidade dura e crua de cada uma das instituições em causa, muito menos as pessoas que por lá passaram, atrevo-me a deduzir que tudo deriva de uma política de gestão muito nublosa.
Todavia, os culpados não são apenas os que tomaram o poder, mas todos quanto estão ligados a este género de instituições. Os sócios, principalmente, são a vida dos clubes e, assim como aparecem nas horas das alegrias, devem estar atentos nas horas menos felizes para saber o que passa neste tipo de colectividades. Têm o dever e a obrigação de tal. Quando o barco já está no fundo, de nada vale lançar a bóia. Há ainda aquele tipo de situações em que determinados dirigentes, numa tentativa desesperada, procuram tapar o sol com uma peneira. Mais vale arriscar e deixar o sol queimar, em vez de estarmos todos sob uma sombra temporária.
Nos últimos dias de Agosto, lá surgiram novas informações do género através da Federação Portuguesa de Futebol: o Grupo Desportivo “Os Minhocas”, dos Açores, ficou impedido de disputar a III Divisão “em virtude da falta de pagamento da multa agravada e indemnizações” num processo disciplinar.
Também o Seixal Futebol Clube ficou impedido de disputar o Campeonato Nacional da III Divisão, apenas devido à falta de pagamento de uma multa agravada, também num processo disciplinar.
O Salgueiros, o Caldas, o Vilafranquense e o Vilanovense foram impedidos de “registar novos contratos ou compromissos desportivos, ou de ainda renovar os existentes”. E então meus caros, é para isto que se perde tempo e horas a fio… Não há honra, não há competência, não há seriedade… não há RESPEITO! E são os clubes/instituições, pessoas colectivas, que pagam a factura? A culpa morre sempre solteira…

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