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A fonte da alegria
Segunda-feira, Março 14, 2016

O mundo que nos cerca (as pessoas, as circunstâncias, a natureza, os acontecimentos) é como um espelho. O espelho nada fabrica por si mesmo. Apenas nos devolve as imagens que lhe apresentamos. Se lhe mostrarmos a nossa tristeza e má disposição, o espelho apresentar-nos-á lágrimas e mau humor. Se sorrirmos, ele sorrirá para nós… Falta alegria à nossa volta? A boa disposição parece que emigrou para terras distantes? Não há quem tenha a generosidade de te sorrir e oferecer contentamento? Dá tu o primeiro passo e verás que a alegria nasce primaveril, mesmo em terra seca e árida. Não hesites em repartir com os outros o pequeno bocado de alegria que existe no teu coração. Não julgues que estás a “empobrecer”, fazendo contas de divisão. São contas de multiplicação. Como recorda Pascal, «A alegria é uma mercadoria maravilhosa: quanto mais se dá, mais se tem».

O nosso mundo vive sedento de alegria. Mas importa procurá-la na fonte certa. Há fontes de água salgada e poluída, que só aumentam a sede e corrompem a saúde. Assim observa o Beato Papa Paulo VI, numa bela exortação apostólica sobre “a alegria cristã”: «A sociedade técnica teve a possibilidade de multiplicar as ocasiões de prazer; no entanto, ela encontra grandes dificuldades em gerar também a alegria. Esta provém de outra fonte. A alegria é espiritual. Assim, o dinheiro, o conforto, a higiene e a segurança material, muitas vezes não faltam; e, apesar disso, o tédio, o mau humor e a tristeza, infelizmente, continuam a ser a sorte que a muitos cabe. E isto, não raro, chega até ao ponto de tornar-se angústia e desespero, que a aparente ausência de cuidados, o frenesim da felicidade presente e os paraísos artificiais não conseguem eliminar».

A fonte fundamental da alegria da mais alta qualidade está em Deus. «Deus é alegria», porque é amor (1 Jo 4, 8.16), e todo o amor puro é festivo e jubiloso como diz um Salmo: «Alegro-me em seguir os vossos desígnios, mais do que em qualquer outra riqueza (…). Delicio-me nas vossas leis, jamais esquecerei as vossas palavras» (Sl 118, 14-16). Libertos do egoísmo que envenena o oxigénio do amor, o que Deus quer de nós é que vivamos na alegria. Assim recomenda o apóstolo Paulo, como que fazendo uma síntese do que é importante: «Quanto ao mais, meus irmãos, alegrai-vos no Senhor» (Fl 3, 1). E Santa Paula Frassinetti exclamava: «Vontade de Deus, és o meu Paraíso». Quem vive na presença de Deus deixou entrar em si o paraíso da alegria.

A presença de Jesus Cristo na nossa vida tem que ser fonte de alegria. Quando nos aproximamos d’Ele, deveremos ouvir como os pastores, quando lhes foi anunciado o nascimento do Salvador: «Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo» (Lc 2, 10). Jesus Cristo convidou e continua a convidar todos os que andam oprimidos e atribulados para irem ter com Ele, pois está interessado em os aliviar, sem sobrecargas pesadas, pois as suas exigências são libertadoras: «O meu jugo é suave e a minha carga leve» (Mt 11, 30). Nas palavras de despedida da última ceia, na véspera da sua paixão e morte, Jesus repetidamente exorta os seus discípulos à alegria: «Que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa»; «o vosso coração alegrar-se-á, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria»; «pedi e recebereis para a vossa alegria ser completa» (Jo 15, 11; 16, 22.24).

Ser cristão é fazer profissão de alegria, dom que o Espírito de Deus nos oferece (Gal 5, 22). É estar «cheio de alegria e do Espírito Santo» (Act 13, 52).

Que a Páscoa de Jesus Cristo seja a nossa Páscoa, tornando-nos portadores e testemunhas de alegria, paz e esperança.

Padre