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Afirmar a alternativa
Segunda-feira, Fevereiro 9, 2015

As eleições gregas de há quinze dias mostram que os povos podem acordar tarde, mas acordam sempre. Uma reedição, aliás, do que aconteceu em Portugal no 25 de Abril de 1974.

Olhando os diversos resultados, cumpre realçar a subida dos partidos que se afirmaram contra a política de austeridade e o sumiço dos partidos que capitularam perante os agentes dos credores. A resistência valeu a pena.

Uma resistência que se foi fazendo em todos os planos, da rua ao institucional, das greves e manifestações ao voto contra as medidas políticas derivadas do memorando de entendimento assinado com a tróica.

A vontade de mudança que se forjou não se deve aos que sistemática e bovinamente fecharam os olhos à perda de soberania, às ofensas dos gananciosos que espezinharam o orgulho do povo, convencidos que, por controlarem os órgãos de comunicação social, tinham o eleitor dominado e submisso. Quando julgavam o eleitor confundido com sucessivas doses de alternância, o eleitor disse basta.

Não basta dizer que se é oposição. É preciso ter práticas de oposição.

E a oposição não se mede pela quantidade de votos contra as propostas normais. A oposição está sobretudo associada às propostas nucleares, centrais, as propostas por onde o Poder quer sinalizar as suas opções, as suas medidas, a sua visão para o território.

O plano e o orçamento são documentos da maior importância da governação.

Deixar passar um plano e orçamento que se classifica de maus é postura própria de quem é alternância mas não é alternativa.

A CDU é a alternativa. No País, no Concelho e nas Taipas.

A outros há-de acontecer o que aconteceu ao PASOK, o irmão grego do PS português: quando o povo achar que já é demais, terão resultados residuais.