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A feira
Domingo, Setembro 5, 2004

Primeiro, o adiamento apareceu justificado com as festas da vila. Ali foi instalado um verdadeiro parque de diversões e as pessoas aceitaram.

Mas as festas foram há mais de um mês e depois disso muito incêndio aconteceu sem que se ouvisse da parte de quem tem obrigação uma explicação, por pequena que fosse, sobre os motivos do atraso.

Quando falham as explicações, sobram as especulações.

E o que corre por aí são boatos qual deles o menos abonatório para a idoneidade da Junta, particularmente para a idoneidade do seu presidente.

Fala-se em obras mal feitas, em inaugurações à pressa, em dinheiro dos contribuintes desperdiçado. E fala-se ainda de outras questões directamente relacionadas com atribuição de lugares, com compromissos em desacordo com as regras fixadas internamente, e por aí fora.

Conta-se que os senadores de Roma, abalados com as críticas populares à mulher de César e inconformados com a indiferença deste, declararam que não bastava que a mulher do imperador fosse séria, era indispensável que o povo a considerasse como tal. O que daqui se pode concluir é que as figuras públicas não podem ficar indiferentes à opinião pública na presunção de que a sua seriedade basta para os defender das acusações contra a sua honestidade e o seu bom nome.

A Junta deve uma explicação aos taipenses, que não podem ser tratados como cidadãos nas vésperas das eleições e como coisas durante o mandato. O povo tem o direito de ser informado sobre a verdade da feira e cabe à Junta, através de quem tem competência para a representar – o presidente da Junta – explicar as razões do atraso e desfazer as dúvidas.

Não o fazer é um suicídio político, mas é também um acto de menosprezo pelos eleitores e, neste particular, não pode ser aceite no plano democrático.

E não pode ser aceite no plano democrático, porque um dos primeiros deveres dos eleitos é o de prestarem contas ao povo que os elegeu e que espera dos seus representantes posições claras, acções transparentes, actos sustentados em critérios de rigor e de isenção.

O adiamento da feira se não for rapidamente explicado corrói a idoneidade da Junta, enquanto órgão do poder local democrático e dos seus membros, enquanto pessoas. O presidente da Junta não pode permanecer distante e silencioso.