A crise têxtil no Minho contada por um jornalista do Washington Post
Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006

História de aparente sucesso da fábrica de Ponte da Barca que resistiu à pressão das forças da liberalização dos mercados mundiais

Barry Hatton, assinou uma reportagem para o Washington Post, na passada sexta-feira, sobre a famosa fábrica em Ponte da Barca que resistiu à constante ameaça da liberalização do comércio mundial.

Foi em 2004, pouco antes do fim do ano, que funcionários da empresa Confecções Afonso, prevendo um agravamento a sua situação laboral, evitaram o carregamento das máquinas, bloqueando as saídas da fábrica e chamando a polícia.

Vivia-se o processo de negociações sobre a liberalização das quotas de mercado na Organização Mundial de Comércio. Os produtos provenientes da China entravam no continente europeu em catadupa. Neste caso, a empresa alegava a decrescente produtividade dos trabalhadores que dificilmente competiam com a empresa localizada na Eslováquia – país para onde a Mallet & Trust se preparava para levar as máquinas.

Os noventa operários conseguiram fazer recuar a Mallet & Trust, ficando com as instalações, as máquinas e todo o conteúdo do armazém. Perante a situação e sem grandes alternativas decidiram tomar conta da produção da fábrica e procurar encomendas.

Os tempos não são fáceis. Os produtos vindos da China, que são produzidos a muito baixo custo, representam uma permanente ameaça. No entanto, o repórter norte-americano testemunhou a grande dinamismo das trabalhadoras da fábrica – a lutar para conseguir modernizar-se e sobreviver.

Como foi noticiado, há pouco mais de um mês, a Mallet & Trust vendeu a fabrica a Conceição Pinhão, que liderou todo o processo de recuperação da fábrica, por um euro.

Texto: Paulo Dumas

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