Acredito que vai ser possível melhorar
Terça-feira, Abril 5, 2005

A 20 de Março de 2005, passado um ano, o mesmo jornal faz uma avaliação sobre a evolução da fome em Portugal e publica o que ninguém gostaria que tivesse acontecido: “A pobreza extrema e a fome aumentaram em Portugal no último ano.”
Se há um ano fiquei, como muitos portugueses, preocupado e alarmado com esta situação, hoje não fiquei tão chocado, pois assistimos, durante o ano que passou, a um acentuar de políticas que conduziram ao agravamento desta situação.
Em relação ao método científico para quantificar a pobreza, não existe consenso. Uns argumentam que os dados são reais, outros argumentam que ainda existe pobreza encapuçada, atendendo a que muitos não procuram ajuda junto às várias instituições de solidariedade social. O que é certo, é que os mais recentes números de desemprego publicados, o elevado número de concelhos em situação de “morte social”, etc, (como referi no artigo de Março), leva-nos a acreditar mais nesta última argumentação.
A esperança reside neste Governo. Se assim não fosse, não tinha sido sufragado com a maioria absoluta. Não esquecer que durante a campanha eleitoral o Eng. José Sócrates prometeu que “A palavra pobreza iria voltar ao dicionário da agenda política em Portugal”, o que se verifica no seu Programa do Governo.
Para ontem, qualquer solução já pecava por tardia. Mas também é demagógico e enganador, dizer que vai ser já hoje. Gostaríamos que o amanhã não fosse depois de amanhã. Não é fácil nem vai ser fácil. Mas acredito que vai ser possível melhorar.
Não tenhamos é ilusões: esta situação não acontece longe e aos outros. Infelizmente, também acontece perto de nós.

Pê éSses finais:
Não serei o primeiro nem o último, mas entendo ser importante destacar a maneira de agir deste governo no sigilo com que fez a constituição do Governo, na coragem em ter arranjado um espaço na parede da sede do PS para colocar a fotografia do Professor Freitas do Amaral e ter terminado com o beija-mão no final da tomada de posse do governo. Torna-se, então, importante traduzir por miúdos o “Habituem-se!” proferido pelo Dr. António Vitorino na noite da vitória: “A comunicação social só tem é que transmitir a notícia e não fazer parte dessa notícia”. Que sirva de exemplo a todos no presente e no futuro.
Uma palavra de solidariedade para todos os agentes das forças de segurança e respectivos familiares. Aproveito também para endereçar palavras de incentivo para que continuem a cumprir as suas funções com zelo e menor risco possível e que não tenham de se “endividar” para poderem comprar o material de segurança a que deveriam ter direito e que infelizmente não lhes é fornecido.
Por cá, e não querendo afirmar que nada se faz, gostaríamos de ver mais visibilidade na actuação das forças de segurança.

pauloix@clix.pt