A concentração motard
Terça-feira, Junho 11, 2002

Confesso que os desportos motorizados não colhem a minha simpatia. Tenho assistido, como mero espectador, às últimas concentrações de motos nas Taipas e do que vi ficou-me a convicção de o evento colidir com a tranquilidade da vila.

A conclusão mais óbvia nessas circunstâncias será a de recusar o acontecimento, por não se enquadrar no ambiente bucólico de uma estância termal, cujos frequentadores, pela idade e pela situação física e psicológica, preferem o sossego à agitação.

Os desportos mecânicos são dos mais agitados, dos que mais ruído e mais frenesim potenciam, pelo que, numa análise simplista, não deviam sequer ser tolerados quanto mais aceites.

Mas nem sempre razão e lógica estão do mesmo lado.

A concentração não deve ser menosprezada porque arrasta milhares de pessoas, maioritariamente jovens, cujos passatempos e necessidades devem estar no centro das preocupações dos gestores da coisa pública. Porque em última análise, a satisfação das necessidades da sociedade constitui a razão de existir dos políticos.

Se não se pode nem deve ignorar esta realidade social e política, também não se pode abandonar a responsabilidade do que se passa naqueles três dias e duas noites à anarquia própria de organizações informais.

Ou seja, as entidades com responsabilidade directa e indirecta na matéria têm de dar um sim condicionado.

Uma vez que a gestão do parque público está acometida à Taipas-Turitermas, é ela que deve negociar com os organizadores e estabelecer o contrato onde ambas as partes se comprometam, cada qual na esfera da sua acção.

A título de contributo pessoal, aqui deixo algumas sugestões a defender pela Turitermas: mapeamento do teatro das operações, com determinação exacta dos espaços cedidos; definição correcta das fronteiras, remetendo o desenrolar dos espectáculos e a instalação do circo de tendas e caravanas com base numa linha imaginária traçada a partir do Piteco’s Bar; exigência de uma caução de garantia para cobrir financeiramente as despesas decorrentes de mau uso, danos ou estragos causados durante a concentração; assegurar junto da Câmara de Guimarães a recolha excepcional dos lixos, evitando acumulações indesejáveis e negativas para a imagem das Taipas; circunscrever as demonstrações públicas a horas adequadas e em cumprimento dos imperativos legais, maxime a lei do ruído; finalmente, exigir que os gradeamentos ou outros materiais inibidores de acesso sejam de qualidade e não folhas multicolores, esburacadas assentes em estacas desarrumadas, mais próprias de bairros de lata do que de uma Vila ufana do seu passado e da beleza natural que ostenta.