A Esperança é Dom e Empenho
Terça-feira, Janeiro 8, 2013

A esperança é DOM porque assenta na certeza de que o nosso Deus nos ama e quer para todos nós a vida plena e abundante.

O primeiro livro da Bíblia é o Génesis. Nele está a imagem de Deus como se fosse o oleiro que faz o homem e lhe dá o sopro da vida. No centro da história da salvação está Jesus Cristo, que passa da morte para a vida plena e feliz para sempre.

O último livro chama-se Apocalipse e apresenta de uma forma enigmática, só percebida pelos cristãos que nesse tempo eram perseguidos, a vitória final do bem sobre o mal, a vitória de Cristo ressuscitado.

Se encontramos razões para vermos o nosso futuro e o futuro do mundo com uns olhos novos, isso não é consequência de um raciocínio filosófico, mas porque aceitamos o desafio de abrir as portas a Cristo, a fim de que seja Ele a dar-nos um sentido para o viver, o amar, o lutar por um mundo melhor, o morrer em paz.

A esperança é, simultaneamente, um EMPENHO. É preciso arriscar. Dizer não ao fatalismo e imaginar um futuro sempre melhor. A esperança de modo algum nos pode despreocupar das obrigações históricas da transformação do mundo ao serviço do homem. A esperança cristã, embora relativizando todas as realizações humanas, tem a garantia de que o nosso empenho é útil para o reino futuro.

O documento do Concílio Vaticano II sobre “A Igreja no mundo actual”, “Gaudium et Spes” (Alegria e Esperança), lembra-nos que: «Os valores da dignidade humana, de comunhão fraterna e de liberdade, ou seja, todos os frutos da natureza e do nosso esforço, que nós espalhámos pela terra no Espírito do Senhor e de acordo com o seu mandamento, encontrá-los-emos depois, mas limpos de toda a mancha, iluminados e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o reino eterno e universal: “que é reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz”. O reino já está misteriosamente nesta terra. Porém, quando chegar o Senhor, alcançará a perfeição» (GS 39).

Por conseguinte, a esperança diz-nos que as pessoas e também o cosmos todo inteiro, viverão depois da morte uma verdadeira vida. Existirão. Será a vida em plenitude para todos. Serão os novos céus e a nova terra. E como isso será possível? O importante não é saber como será, mas viver como Jesus viveu, passando pela vida amando e servindo como Ele amou e serviu até dar a vida. Quem ama como Jesus amou, já passou misteriosamente da morte para a vida.

Por tudo isto, demos testemunho da nossa esperança com a nossa alegria. Afinal a vida não é um absurdo e o mundo geme em dores de parto porque está para nascer um mundo novo. O apelo de S. Paulo é pertinente: «Que a esperança nos mantenha alegres. Sede firmes na tribulação, sede assíduos na oração» (Rom 12, 12). Não somos pessimistas nem optimistas absolutos. Simplesmente, tendo como referência a Cristo, nossa esperança, empenhamo-nos num mundo melhor. Uma esperança difícil, esta que nos impele a caminhar como peregrinos do infinito.

 

VIVER NUMA ATITUDE DE ESPERANÇA HUMANA E CRISTÃ

A título de complemento e de actualização do artigo, transcrevo este texto escrito por um jovem no dia em que fez 25 anos. Mostra como a vida é feita de desilusões, alegrias, limitações. O importante é que se viva numa atitude de esperança humana e cristã.

«Caminhei descalço pela praia.

Percorri muitas vezes os passeios e os jardins.

Conduzi um automóvel com prudência.

Cheguei poucas vezes tarde a um encontro marcado.

Desfrutei da natureza, contemplando paisagens.

Disse palavras de esperança a pessoas amarguradas.

Tive inimigos.

Em certas ocasiões senti-me abandonado pela sorte.

Vivi momentos muito felizes.

Fui assaltado.

Soube perdoar e fui perdoado.

Felicitei muitas pessoas que faziam anos.

Li muitos livros e escutei música.

Rezei.

Vivi alguns momentos de desespero.

Perdi a fé em mim mesmo e depois recuperei-a.

Vi maravilhas apenas ao abrir a janela de par em par.

Sorri.

Sonhei com um futuro melhor.

Perdi alguns amigos.

Conheci pessoas encantadoras.

Fui egoísta.

Não recusei ajudas.

Tentei ser melhor hoje do que fui ontem.

Passei algumas noites sem dormir, porque alguém precisava de mim a seu lado.

Posso resumir a minha existência numa frase: Vivi».

Certamente que algumas das experiências narradas coincidem com a nossa experiência de vida. Inspirados por este texto, poderá ser mais fácil reconhecer e enumerar várias atitudes nossas relacionadas com a esperança.

Votos de um Ano Novo cheio de esperança e de paz, sempre firmes e alegres na esperança de que o bem há-de vencer sobre o mal, conscientes de que o difícil não é impossível!