A Capital Europeia do Desporto
Segunda-feira, Dezembro 10, 2012

Guimarães, em 2013, vai ser uma das muitas capitais do desporto na Europa.

De acordo com as declarações públicas dos responsáveis pela candidatura e organização, depreende-se que a designação de capital europeia da cultura constitui mais um troféu do que uma responsabilidade. Dito de outra forma, é mais um ponto de chegada do que um ponto de partida.

Na imprensa apresentam-se números surreais: 4 em cada dez habitantes do concelho de Guimarães praticam, pelo menos, duas vezes por semana desporto.

Isto de opiniões, valha lá a verdade, tem risco por causa da falta de dados fiáveis; mas dizer tamanho percentual, não lembra ao diabo. A minha opinião deve valer tanto como a do vereador responsável, ou mais, acrescento: Não é verdade que 4 em cada 10 vimaranenses pratiquem desporto pelo menos duas vezes por semana. A não ser que se entenda como prática do desporto a mera ída ao café para tomar uma “bica”.

Era bom que as cifras publicitadas fossem verdadeiras. Estávamos num concelho de desportistas com consequências incomensuravelmente benéficas para a saúde pública.

E porque é que afirmo isto?

É só frequentar os locais onde as pessoas podem e devem praticar desporto. Por exemplo, o parque de lazer das Taipas e de Ponte que, no Verão, apresentam frequências elevadas, encontra-se deserto no Inverno. O mesmo se diga da pista gémeos Castro e o Parque da cidade. Estarão nos pavilhões municipais? O número de pavilhões existentes no concelho, mesmo no seu limite, não albergariam tanta gente e mal chegam para as necessidades dos clubes do concelho.

Diz-se ainda na propaganda, que Guimarães é uma cidade de desportistas que tem 300 espaços e instalações com aptidão desportiva – mais uma vez a cidade a ofuscar o concelho como se o concelho fosse da cidade e a cidade o próprio concelho.

O meu termo de comparação é o concelho de Braga por razões de vizinhança, sensivelmente o mesmo número de habitantes; e igual orçamento: quantos pavilhões gimnodesportivos foram construídos – muito mais que em Guimarães; existem pistas e parques para a prática do desporto espalhados por todo o concelho de Braga há muito tempo; quantos campos sintéticos existem em Braga; etc..etc…

Se existe concelho onde o investimento no desporto visto como comparticipação e presença na organização de eventos, e no apoio aos clubes não é exemplo para ninguém, é a praticada pelo município de Guimarães que concentrou tudo na “empresa” Tempo Livre.

Investir no desporto verdadeiramente é conseguir a prática da actividade desportiva por um maior número de pessoas e tal objectivo não se consegue quando as infra estruturas não estão ao serviço do povo mas de alguns.

Como é que explica que o parque de lazer das Taipas não tenha água há mais de 2 meses e ao fim de semana, com maior frequência, a casa de madeira de apoio esteja permanentemente fechada: nem água nem casa de banho.

A Câmara é que sabe pois pode considerar que o Parque de Lazer das Taipas não tenha “aptidão desportiva”. Pois, a Câmara é que sabe e não me apetece assobiar.