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O crime sem castigo de não se cuidarem das árvores
Terça-feira, Janeiro 21, 2020

Sou daqueles que defendem que o espaço público normal deve ser austero, isto é, deve ser concebido, projectado e construído de modo a durar com o mínimo desgaste e mínima manutenção possível. Não quer dizer que não seja arranjado, limpo e agradável.

Existem espaços que pela sua particularidade exigem uma acuidade maior por serem especiais, estou-me a lembrar dos parques e jardins públicos destinados exclusivamente ao lazer e bem estar dos cidadãos.

Sonhar com jardins a florir em cada rotunda e em cada canteiro, não passa de um ideal bonito, que cai bem, mas completamente fora de tempo e de contexto.

Os custos com pessoal são cada vez mais um constrangimento a que coisa pública (res publica) seja projectada para exigir a intervenção de muita mão humana.

Por essa experiência já passaram os nossos parceiros europeus mais desenvolvidos e o resultado final é um espaço público austero, duradouro e de pouca manutenção. Até porque não há pessoal e os que existem querem trabalhar 35 horas que é o horário dos trabalhadores da função pública – incongruência deste regime socialista que estamos todos a pagar caro com a degradação a olhos vistos dos serviços públicos.

Se dúvidas existissem sobre a incapacidade de acudir ao espaço público por parte do estado, aqui na versão dos municípios e freguesias, veja-se que ao som de umas “rabanadas” de vento natalícias, as árvores, umas caem, outras ameaçam cair, outras seguem o malfadado destino de continuarem a resistir à incúria e à ciência miraculosa de engenheiros de gabinete que de árvores, pelos vistos, só têm ideias feitas e erradas.

Quando o já passado Presidente da Câmara de Guimarães ameaçou com processo crime quem, nas Taipas, de partido que não era o seu, tocasse nas suas amadas árvores, o povo tremeu e considerou que a magnitude de semelhante afirmação seria a garantia de um tratamento de excelência do património arbóreo das Taipas.

O povo tremeu e aprendeu a não mexer. O magnânimo Engenheiro responsável também tremeu e, Esse, não mexeu mesmo. Até que um dia, este engenheiro de que não se pode dizer o nome, mas de tal independência técnica que não ousava contrariar o passado presidente, verificou que árvores caíram e outras estavam em queda. E, num assomo de vingança, mais de cobardia, derrubou árvores em que não mexeu em mais de 10 anos.

De nenhum mal aparente passou-se para o mal inteiro, o supremo mal

Para quem se convenceu de que a autarquia faz a gestão – acompanhamento, tratamento, e substituição programada – do parque arbóreo das Taipas, o resultado está aí à vista.

O abandono das árvores das Taipas, deliberado por não se autorizar outros de outro partido politico, a olhar por elas, é politica de 30 anos do nosso município e que os aficionados locais aplaudem fielmente.