Dimensão de Caldas das Taipas XXI: A ponte do PREC
Quarta-feira, Junho 12, 2019

A ponte do Rabelo em ruínas, que nas Caldas das Taipas liga a freguesia de Caldelas à de Barco sobre o Rio Febras, também conhecida como de Agrela, de Briteiros e de Rabelo, onde desaguam as suas águas no estuário da paria Seca. O arranjo da sua ponte, já ao tempo em ruínas, figura das reivindicações políticas e populares do PREC Período Revolucionário em Curso do ano de 1975, em período anterior ao da Lei das Finanças Locais, que viria a autonomizar recursos para a satisfação das necessidades municipais.

Em Setembro de 1976 a Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de Caldelas, ainda antes das primeiras eleições autárquicas livres, decide imprimir 40 exemplares num cartaz, fazendo referência à falta de colaboração da Câmara Municipal, que de tão histórico que é, ainda hoje o exibe nas suas paredes.

Já lá vão 45 anos, e a ponte do Rabelo muito triste, continua no seu fadário a servir as pessoas e os bens destas para o atravessamento do rio, mas esquelética, feia, envergonhada, perigosa e insegura, pela falta de carinho a que está votada pela municipalidade de Guimarães, aos cuidados de quem está. Guimarães não exibe no seu brasão nenhuma ponte nem nenhum elemento de água, ao invés do que acontece com os da vila de Caldas das Taipas, que, na freguesia de Caldelas orgulhosamente ostenta nos seus símbolos heráldicos uma ponte sobre um pé de 6 faixetas de água, bem como no da freguesia de Barco com 3 faixetas de água, pois a possuem em abundância no caudal dos seus rios e ribeiros, fazendo pressupor até por isto que os cuidados deviam estar à responsabilidade destas ao invés do município.

Breves acerca da ponte do Rabelo:
04-02-1975 (parte do texto do trabalho tipográfico no emoldurado quadro): Reunião da Comissão Administrativa da Junta de freguesia de Caldelas, divulga diversas necessidades reclamadas a Guimarães, entre as quais:
6. A ponte denominada do Rabelo ameaça ruínas.

17-12-1992 Acções previstas pela Câmara para o ano de 1993, nas Caldas das Taipas: Arranjo da Ponte do Rabelo.

16-10-1998 Em sessão da Assembleia de Freguesia de Caldelas. O deputado Manuel Martins refere-se à falta de grade de protecção na Ponte do Rabelo.

Porque faz sempre bem, ler um bom texto sobre o rio Ave em Caldas das Taipas, aqui reproduzo de Setembro de 1949, publicado num jornal local, da autoria de Carlos Augusto Saraiva de Carvalho Brandão, com o título “Impressões de uns momentos”: “Debruçava-me sobre o parapeito da ponte na contemplação do cenário que se desdobra para um e outro lado do rio. Naquele momento, devido à estiagem, o seu leito nada mais era que um extenso areal, serpeado por um fio de água corrente. O Ave é característica dominante dessa paisagem, pelo movimento e frescura que lhe emite. Verdadeira aguarela viva agita-a o labor agrícola dos seus campos marginais, e a policromia da vegetação, que ora pende sobre o rio, em maciços de verdura, onde se perfila, como sentinela à sua passagem. Quadro de impressionante e vivo realismo, a natureza salienta-se ali à altura do seu Creador, não só a expressão suave e dedicada das suas margens, mas também na espiritualidade do próprio cântico que se desentranha do seio da terra pelo esforço do Homem rural, a humanizá-la constantemente com o suor do seu rosto, quando a não laparotomisa com a acção dos seus músculos em intensa contractura.

O fio de água corrente lá continua a deslizar, alheio à beleza que alimenta e proporciona. Nas horas altas do dia escaldantes e do sol a pique, é o rio que suaviza e refresca a atmosfera: nas madrugadas luarentas quando tudo dorme e descansa, só ele escuta o sussurro da que faz bailar as searas e, como espelho, reflecte nas suas águas, a poalha de luz que a lua espalha sobre a terra.

E as Taipas têm como poucas terras: a sua posição privilegiada, na formosura da sua paisagem, na frescura do seu clima e até, na ternura do seu rio. Bem andou José Francisco Rosas Guimarães em dar-lhe o seu entusiasmo, a sua dedicação e o seu esforço. Assim não falseou a sua missão de Vereador com o pelouro das Taipas e contribuiu para o progresso de uma terra que bem merecia ser bem acarinhada”.