25.000 por mês
Segunda-feira, Maio 31, 2004

A Senhora Ministra das Finanças fez ouvir a sua voz em defesa da contratação do novo director-geral dos impostos, a quem o governo vai pagar 25 mil euros por mês. É justo, disse ela.

Entende a dita senhora que é merecido o salário a pagar, como também no passado terá achado bem os salários principescos pagos aos assessores do ministro Paulo Portas e, provavelmente, também nenhum reparo lhe merece o despesismo do presidente da câmara de Lisboa traduzido na compra de novos, vistosos e caros carros para ele e para os que lhe são próximos, como nenhuma palavra crítica se lhe conhece a propósito dos consultores da ministra da justiça, os recém licenciados sem experiência de trabalho pagos como nenhuma empresa o faria em tais circunstâncias.

A questão não é se é justo ou injusto o salário que todos nós, contribuintes pagantes, vamos entregar ao novo director-geral dos impostos.

De igual modo, não se discute se os assessores de Paulo Portas merecem a nota que lhes pagamos nós, contribuintes pagantes.

Também a compra de carros de gama alta não se dá de barato: afinal o presidente da câmara da capital não se pode fazer transportar numa viatura qualquer.

E muito menos se contraria a vontade da ministra da justiça de pagar bem aos seus fiéis, porque ser generoso é gesto que não se pode levar a mal.

A questão é que 25 mil euros por mês é mais, muito mais do que ganha por ano a média dos trabalhadores deste país dito em crise.

A questão é que quem paga estas e outras generosidades distribuídas por partidários e aderentes são os contribuintes, os mesmos a quem se exigem sacrifícios a pretexto de uma crise que não é para todos.

Moral da história: olha para o que eu digo, vê o que eles fazem e no dia 13 de Junho julga-os e castiga-os com o teu voto.