PUB
25 de abril remoçado
Sexta-feira, Junho 8, 2012

Em tempos tão conturbados, com os pessimistas a encararem o país com desânimo e os indecisos sem saberem se devem rir da política (des)governativa deste e de outros (des)governos ou chorar feitos Mofina Mendes, pertenço a uma minoria que acredita que o país olhará o futuro com alma revigorada.

Podemos ser fatalistas, saudosistas, sentimentalistas, mas, sabemos enfrentar e desafiar as provações e, mais importante ainda, derrotá-las.

Vivendo a Educação tempos angustiosos, falar da juventude é bom. Podem mudar os governos, as políticas, os programas, os métodos, as estratégias, as disciplinas, as avaliações dos alunos… que os jovens vão estar lá e os professores também, enquanto a sabedoria não for resultado da toma de um comprimido ou da implantação de um chip. São sempre completamente diferentes, mais ou menos problemáticos, aborrecidos, motivados, inteligentes, nerds, mitras, gunas, betinhos, surfistas, skaters,rastafaris… mas são a nossa esperança e, quando menos esperamos, surpreendem-nos positivamente. É por essa aptidão inerente à juventude de fazer coisas inesperadas que adoro ser educadora. Ela ainda não esgotou a minha capacidade de ser surpreendida.

Festejar o 25 de abril tornara-se um ato meramente político, com cerimónias oficiais enfadonhas e discursos de circunstância. Até certo ponto, sentia um sentimento de perda. Onde estavam os ideais de abril? Hoje, admitem-se e fazem-se coisas impensáveis, nessa altura de sangue na guelra e fogo no coração.

E foi preciso que uns quantos jovens (apenas entrados nos -inta) ligados às bandas de garagem, que apenas ouviram contar o 25 de abril, fizessem reacender a chama de quantos estavam naquele auditório dos BVT.

O espetáculo, promovido pelo Núcleo de Estudos 25 de Abril (sediado em Briteiros) e corporizado pelo Movimento Artístico das Taipas, não tem palavras que o possam qualificar. Espantoso, incrível, extraordinário, inesquecível, brutal, altamente são alguns dos adjetivos possíveis (o último é advérbio) para descreverem aquele evento mágico, principalmente quando o público e os jovens cantaram ”Grândola, vila morena”.

Acredito, pois, que um país com tais jovens vai vencer e mostrar à Troika e à Europa de que fibra é feito o povo português.

Obrigada, MAT! Parabéns!

26