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25 DE ABRIL SEMPRE!
Domingo, Abril 26, 2020

Foi na madrugada histórica de 25 de abril de 1974, há precisamente 46 anos atrás, que os capitães de abril (Salgueiro Maia e outros) libertaram o país de um regime fascista e impuseram a democracia.

É, sem dúvida, uma data que ficará, eternamente, nas nossas memórias e tem de ser lembrada e celebrada porque se realizaram muitas mudanças: passamos da censura à liberdade de expressão; passamos de um regime autoritário e absoluto para um regime democrático onde as pessoas têm o direito a voto; passamos de tempos em que não havia acesso nem à saúde nem à educação para os dias de hoje, com um Serviço Nacional de Saúde pronto para combater e milhares de escolas para nos educar; mudou-se o estatuto da mulher na sociedade…
Conseguimos o que, nos 41 anos ininterruptos de Estado Novo, parecia ser utópico.

LIBERDADE!: é esta a palavra que devemos proclamar e gritar hoje e sempre. Como é bom sermos livres, como é bom podermos expressar a nossa opinião, fazermos as nossas escolhas, como é bom vivermos num país democrático, como é bom podermos ser nós próprios sem termos que agradar a uma pessoa ou sem termos de ser iguais aos de um ideal pré-estabelecido.

A isto chama-se LIBERDADE… somos LIVRES graças aos capitães de abril que têm de ser honrados pelo incrível trabalho e dedicação para que o Portugal de hoje, não estivesse nas mãos de um ditador. Contudo, ser LIVRE exige grande responsabilidade. Muitas pessoas andam mascaradas de “abrilistas”, proclamando liberdade, mas, na verdade, não a praticam. Utilizam a LIBERTINAGEM, que nunca se pode confundir com o termo liberdade. Não podemos passar do limite, pois “A minha liberdade acaba quando começa a do outro”. É por esta confusão que vemos situações inexplicáveis no nosso mundo e já dizia Ramalho Eanes (ex-Chefe de Estado) que “Abril trouxe liberdades, mas não trouxe cidadãos”. Que palavras sábias!

Há 46 anos as pessoas estavam confinadas devido ao regime que tinha sido instaurado por Salazar. Hoje, a 25 de abril de 2020, estamos confinados a nossas casas devido a um vírus que avança implacavelmente perante um ser humano inexplicavelmente indefeso. Hoje, mais que nunca, temos que festejar esta data simbólica. Porque, graças à revolução dos cravos, temos um Serviço Nacional de Saúde que luta: enfermeiros, médicos, auxiliares, entre outros, para que todas as pessoas fiquem a salvo em casa. Porque, como vivemos em democracia, escolhemos as pessoas que queremos que conduzam o nosso país e essas lutam dia a dia para tomarem as melhores decisões.
É tempo de ficarmos em casa, na esperança de que virá um novo 25 de abril adaptado às situações que vivemos, que nos vai libertar desta pandemia.

Em tempos excecionais, devemos refletir sobre esta data e festejar, porque, nas palavras de Ary dos Santos, “agora ninguém mais cerra as portas que Abril abriu”. E essas portas permitem-nos cantar que “o povo é quem mais ordena”.
“Esta é a madrugada que eu esperava, o dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio, e livres habitamos a substância do tempo”.

25 de abril SEMPRE, fascismo NUNCA MAIS!
Viva o 25 de abril! Viva a liberdade! Viva Portugal!

Sérgio Silva,
14 anos