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A televisão é um meio de comunicação muito recente. Se existiam experiências desde 1920, somente em 1941 foi autorizada a televisão comercial nos EUA. Na Europa, em 1953, foi retransmitida de Inglaterra para França, Holanda e Alemanha a coroação de Isabel II.
Em Portugal a primeira emissão ocorreu em 1957, num período em que a ditadura imposta pelo Estado Novo controlava a informação.
Em 1968 assiste-se a um dos momentos históricos da televisão em directo, a chegada do homem à Lua. Temos de pensar que naquela altura existiriam meia dúzia de televisores por freguesia e foi impressionante o concentrar de pessoas nas mercearias/tascas do meio para assistir a esse acontecimento.
A televisão começou a complicar a vida familiar com a chegada da RTP2 em 1968, mas como ainda não havia os comandos o impacto não foi significativo.
Tiveram que passar quase vinte anos após o 25 de Abril para surgirem os primeiros canais privados de televisão, primeiro a SIC (1992) e depois a TVI (1993). Mais rapidamente chegaram os canais pagos, caso da Televisão por Cabo, em 1994.
Isto tudo para quê? Para termos canais ditos nacionais, mas que na realidade não passam de canais regionais lisboetas?
Um exemplo flagrante foi o que se passou no dia 14 de Maio. No decurso dos noticiários surge um directo ao estádio da Luz. Algo de transcendente estaria a acontecer para justificar tal situação. Começo a ouvir o presidente do Benfica e percebo que está a apresentar o novo director desportivo do clube português que ficou em quarto lugar no campeonato nacional de futebol. Fiquei um pouco atónito e mudei para a TVI. Esfrego os olhos e ainda pensei que tinha carregado novamente na tecla da SIC. Era verdade, os dois canais estavam no ar com essa peça fundamental para o país.
Mudei para a RTP. Estava no intervalo do Jogo da final da Taça UEFA e passava publicidade. Pensei: sempre é melhor estar na publicidade, pode aparecer algum produto interessante. Mas a RTP também não resistiu e passou maestricamente a palavra ao jogador que salvou, com a sua retirada, a época futebolística ao Benfica. Não havia nada a fazer, cerca de quinze minutos do noticiário com tal situação, é mesmo de televisões que perderam a noção do país
Temos canais que emitem para todo o território nacional mas que não passam de televisões de carácter regional. De manhã, quem liga a televisão, lá tem a informação do trânsito nas ruas de Lisboa, uma ou outra rua do Porto e mais nada. Na informação cultural, lá aparece a locutora a dizer “aqui ao lado, no Centro Cultural de Belém, temos o espectáculo…”. Nos telejornais, temos as obras no Terreiro do Paço, a conduta de água que rebentou no bairro Alto, ou as obras no metro de Lisboa.
Até tremo quando ouço falar em Guimarães. Lá vem borrasca. “Jovem matou cão à dentada”, “adeptos do Leixões acusam adeptos vitorianos de partirem vidros às camionetas” ou “jovem violada no Enterro da Gata”. É por isso que nunca espero ouvir falar de Caldas das Taipas nas nossas televisões, nem imagino a tragédia que teria de acontecer, neste meio, para a vila aparecer nesses canais.
Vários comentadores dizem que Scolari não cumpriu quando afirmou que iria apresentar duas ou três surpresas nas convocatórias.
Estou em desacordo, Scolari cumpriu e de que maneira! Convocou um dos mais desastrados guarda-redes a actuar em Portugal na 1.ª divisão, de seu nome Rui Patrício. Convocou um dos piores médios a pisar a relva durante esta época, caso do Petit. Finalmente, convocou Jorge Ribeiro que ficou conhecido por ter falhado o penalti contra o Benfica. Digam, não são três grandes surpresas?
Alfredo Oliveira
2008-05-26
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